domingo, 14 de novembro de 2010
O Velho e a Moça
O velho que já foi moço, a moça que não é velha ainda.
Cada segundo no meio dos dois se torna um passe de ônibus somente com destino de ida, voltar pra quê? Ainda é cedo. Ainda tem lugar para novos tijolos!
Dois, dois ou um, uma saudade sem limite, dois loucos, dois loucos com uma saudade sem limite que acaba com o primeiro olhar, o primeiro toque.
O primeiro sentido vivo de um velho e uma moça tem algo em comum, ou tenta ter.
Do primeiro andar o velho que foi moço controla tudo, controla o mundo, controla os pensamentos da moça que está louca com a sua cama vazia...
Distância morre, os dois se encolhe numa cama de solteiro, em um quarto pequeno, em um quarto cheio de música.
Tudo se mistura, se refaz em idéias, em amores, em prazeres.
A casa cheira a musse de limão.
Doce está minha boca, quente está você...
Nós estamos aqui, do lado do seu rádio que mostra a hora e ilumina o quarto, sua cachorra obediente está dormindo, o mundo está quieto e nós inquietos querendo um ao outro...