domingo, 4 de novembro de 2012

R de quê?

Logo ao amanhecer descabelada
coloco as mãos no bolso
e ando.
O destino é a rotina
e o medo não me anima não.
Paro na esquina e vejo a melodia
escuto os senhores que andam mais velhos que as pingas,
os vejo, e ainda, ergo as mãos a procura dum sinal de vida
e concordo - eles vivem mais que eu.
Conto os segundos que correm
e sempre me atraso,
- será que o próximo demora?
Espero.
Aguardo a outra linha e penso que daria até tempo de tomar café.
Nessa espera e corrida de horas com pensamentos
na história de que passam carros e caronas,
me afundo na brilhante ideia que me aguarda e me guarda,
penso no palco que deixei
no nariz vermelho que guardei...
Sou mais uma vez interrompida.
As velhas da vila param no ponto,
contam das viagens baratas que fazem com a terceira idade
mostram as mãos enrugadas de trabalho
e eu olho as minhas, que secas ou suadas ficam
que lisa são, - mais trabalho -
e quando penso na desistência o ônibus passa
e eu corro pra me sentar,
afinal o resto do dia é de pé
e a rotina continua até,
até Deus quiser.