Devia ter acordado de um daqueles sonhos, dos quais, dizia, que a moça doce aparecia e te consolava, e sem ver teu rosto que a aurora cobria, sorria, e te fazia acreditar na vida. Devia ser mais um maldito sonho, como costumavas dizer. E que, entre o suspiro de estar ou não acordado, sondava-se, tentando desacreditar no que fizera. Antes, sem pensar. E no despertar pensando. Era 12 de dezembro. Era o maldito dia em que nós, nos desligaríamos completamente, o dia no qual a certeza não era de lado nenhum. Foi como o dia que quem venceria fosse a partida, e enquanto eu me consolava, e te consolava, e guiava-me por sobre as ruas, eu via, via a desilusão do amor, e assim, suspirava como um barco que quando flutua em teu mar em pranto, navega mais bonito com o céu brando. Ali, era chuva. Inda hoje o reflexo nítido das duas almas é a cor, que a gente nunca conseguiu ver.
domingo, 30 de dezembro de 2012
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
1 à 0
Foi-se
partindo de mim o pão partido
sem carne, nem tempero.
Foi como quem vai a esquina
e não volta antes do bar fechar.
E como num suspiro de angústia
o sufoco engole a calma
e espanta a alma, pr'onde for.
Num sentido,
tudo sucumbia,
noutro
tudo morria dolorosamente.
Vai.
Foi-se.
partindo de mim o pão partido
sem carne, nem tempero.
Foi como quem vai a esquina
e não volta antes do bar fechar.
E como num suspiro de angústia
o sufoco engole a calma
e espanta a alma, pr'onde for.
Num sentido,
tudo sucumbia,
noutro
tudo morria dolorosamente.
Vai.
Foi-se.
domingo, 2 de dezembro de 2012
2.0
Inda que som da chuva finda
eu me recolho pra vê-la,
pra que se passar pela minha vista cansada
eu ainda consiga vê-la.
As ruas são nos temas dos quais teus olhos
demonstram a angustia de ver-me
inda nesse estado.
Enquanto a tarde dança sobre as janelas
sobre as calhas das casas
das quais ouvi teus gemidos,
das quais ouvi o som
do teu dinheiro.
Meu bem,
eu te daria tudo
e você,
preferiu
o nada.
eu me recolho pra vê-la,
pra que se passar pela minha vista cansada
eu ainda consiga vê-la.
As ruas são nos temas dos quais teus olhos
demonstram a angustia de ver-me
inda nesse estado.
Enquanto a tarde dança sobre as janelas
sobre as calhas das casas
das quais ouvi teus gemidos,
das quais ouvi o som
do teu dinheiro.
Meu bem,
eu te daria tudo
e você,
preferiu
o nada.
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