segunda-feira, 7 de abril de 2014

Casa da Diversão

Sentiu-me como uma bebida no embalo do sábado a noite. Permaneceu naquela área olhando fixamente aos meus goles de vinho de uma garrafa de plástico. Olhávamos um ao outro com a derradeira curtição, corri o risco, afinal, o vinho acabara e meu corpo precisava dançar por toda aquela pista pequena.

Trocou a área, mas o lugar ainda era o mesmo, ainda tive o prazer de encontrá-lo com meus olhos baixos e com o sangue cheio de bebida alcoólica, seguido de conversas a base de um guarda-chuva.  Cheio de descobrir os beijos e anseios.

Por alguns devaneios, fui parar em sua casa, fumando do seu cigarro, usando seu sofá, te usando inteiramente, como quem mata a sede no corpo que atraca num cais do qual sempre teve o mesmo corpo, seguido do mesmo gosto. Eram novos os gestos, simpáticas carícias, mas tudo era atolado de um prazer, do qual me faria esquecer a ida e a bebida.

Alguns instantes de beijos, outros de provocações, alguns essenciais para a nudez, e o restante para ser partido ao meio, para lambuzar-se por inteiro, e fazer-se, como dois egoístas, bem a si mesmo. Comi, revirei, dei, retribui.

Repetimos mais uma vez, numa outra data, num outro tom, no mesmo conceito.


- Posso te fazer uma pergunta?

- Claro


- Por que qualquer carinho te sobra tanto?