Sentiu-me como uma bebida no embalo do sábado a noite.
Permaneceu naquela área olhando fixamente aos meus goles de vinho de uma
garrafa de plástico. Olhávamos um ao outro com a derradeira curtição, corri o
risco, afinal, o vinho acabara e meu corpo precisava dançar por toda aquela
pista pequena.
Trocou a área, mas o lugar ainda era o mesmo, ainda tive o
prazer de encontrá-lo com meus olhos baixos e com o sangue cheio de bebida alcoólica,
seguido de conversas a base de um guarda-chuva. Cheio de descobrir os beijos e anseios.
Por alguns devaneios, fui parar em sua casa, fumando do seu
cigarro, usando seu sofá, te usando inteiramente, como quem mata a sede no
corpo que atraca num cais do qual sempre teve o mesmo corpo, seguido do mesmo
gosto. Eram novos os gestos, simpáticas carícias, mas tudo era atolado de um
prazer, do qual me faria esquecer a ida e a bebida.
Alguns instantes de beijos, outros de provocações, alguns essenciais
para a nudez, e o restante para ser partido ao meio, para lambuzar-se por
inteiro, e fazer-se, como dois egoístas, bem a si mesmo. Comi, revirei, dei,
retribui.
Repetimos mais uma vez, numa outra data, num outro tom, no
mesmo conceito.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro
- Por que qualquer carinho te sobra tanto?