sábado, 11 de julho de 2015

São eles

São eles, os encantadores baratos, com copos cheios. São os mesmos que te levam pra cama, que querem sua poesia, seu corpo e alma nus. São os mesmos que se deliciam e deitam sob teu peito. São os mesmos que querem ver beleza em Neruda e Vinicius, que não se explicam, que transpassam a mudez, que deleitam-se no prazer de não dar tudo, mas de receber tudo que puder ser recebido, desde que não acorde ao seu lado e não seja necessário abrir a porta, deixando claro onde fica a chave e dizendo (às vezes) que você pode voltar quando quiser.
Nos retornos, você já conhece o caminho, já sabe o que te espera, e agora, nem tenta o acordar pra dizer que vai embora, ou que está tarde, apenas levanta da cama, coloca suas roupas e pede um táxi até o metrô mais próximo.
Sai de lá jurando que não volta, dizendo que queria ele pra ser seu, mas no fundo sabe que jamais queria ele, e que tanto pra ele, quanto pra você, são somente uma fuga dos amores mal acabados, dos desejos contidos e soltos ali, naquela casa, naquela cama.
Só os procure se quiser uma noite (difícil eles serem mais que uma). Difícil também ter vacina a malandro.