segunda-feira, 18 de abril de 2011

Teu ao meu

Tem tanto,

tens tudo,

tem mais nada mesmo ainda tendo

tudo

Tão pequeno perto do que sentes,

agora, guarda, e re-guarda

outro porta retrato...

Outro ponto-final na gaveta do lado da cama,

escuro quase claro sem azul

No ouvido guarda todas

as tuas, as minhas, nossas
melodias.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quem sou eu

Um dia eu soube, mas esqueci de anotar...
Três mundos.
Oito rios.
Milhões de doces que as minhocas devoram, e como devoram!
Sem boa tarde,
nem boa noite,
cinco brindes sem garçom!
Desfaz o nó e re-amarra o sapato
use fitas na cor vermelha...
Tire a borboleta da sala e re-coloque a flor no cabelo
jurei que vi primeiro!
Re-atualize a televisão na burrice,
porta-retrato grande
nem transparente, nem azul, nem preto...
amarelo por favor!
Foto, careta, palhaço, mar com maré,
aprenda a remar,
a nadar,
sem sufocar.
Caminho longo,
história pequena,
horizonte azul,
vermelha a mancha da pena.
Café.
E então você despenca do 10º andar com todo o sal que jogaram no teu ninho. Quando chega perto do chão se revira feito gato quando quer fugir do dono ou quando está com medo. Nessa queda alimenta alguns vicios lúcidos, e no fim sabes que lá no chão vai ter alguém com outra cor bonita e que você nem imagine que tenha... e ai quem está lá, te ensina a voar outra vez com asas maiores que as de antes para dar mais equilibrio, pra guardar o ninho do sal, pra ter sempre como se proteger. O que você faz? Espera, até chegar ao chão.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Alguns anos meus

De cor e de ponta à ponta, corria feito doida com doces na mão o meu quintal maior o mundo, e sabe, as vezes ainda me parece o maior quintal do mundo. Gosto de miojo desde criança batuta assintindo Castelo rá-tim-bum. Segundo minha mãe tomei tantos tombos na escada maiores do que vivo tomando na vida e as vezes acho que ela tem razão. Queria doce, chocolate, leite e rock Hoje quero mais doce, mais chocolate, café e samba. Odiava samba. Amo samba. Cartola era música de velho, Cartola é rei! Chico era estranho Chico é poeta dos olhos obliquos. Não gostava muito de cor-de-rosa e até hoje prefiro meu vermelho e como bala de goma falada de um jeito diferente. Do mesmo jeito que minha mãe pedia para eu colocar a blusa nos dias de frio, me pede hoje ajuda no que vestir e sempre gosta das idéias malucas que tenho, ou quase sempre! Mas ainda assim não largo meu lado criança e deixo várias vezes a minha vontade de crescer passar e olha que passa rápido... sabe, a vida é uma bagunça e a minha em especial é mais doida ainda. Esses dias foi minha mãe quem me fez um leite quente e me levou na cama. Não me cobrou crescer embora tenha me cobrado sonhar. Por minha vez, sei que tenho o doce de criança e o vinho dos adultos... de vez enquando me cobro "JULIANA cresce!" e me respondo "Quem disse que agora eu preciso/quero crescer?" Que toda essa essencia de criança com gosto de açucar depois de tomar remédio amargo reviva na vida bagunçada e de adulto. E eu? Que eu tenha tempo de correr no meu quintal maior do mundo feito batuta com todo doce possivel nas mãos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Tantos parabéns

Mais ou menos a 20 anos atrás uma mãe que estava no trabalho, em casa, ou até mesmo sambando qualquer samba de raiz esperava sua filha, sendo acomodada pela sua barriga que mais parecia uma melancia inteira para as crianças do bairro. A bolsa estorou cerca de alguns segundos depois do seu ultimo sambarock no máximo do volume do rádio de cor preta com botões dourados, acho justo lembrar das cores. Pequenina a garotinha não deu trabalho no parto, mas levou as três palmadinha do médico. Queria ser uma abelinha e ver tudo de perto, mas eu, não sonhava em nascer... De qualquer forma, a pequenina chegou, com pouquinho cabelo, branquinha, fofa e com o nome de Jacqueline Mesquita. O nome herdou do pai, mas todos diziam que ela era a cara da mãe. Nome de um, fucinho do outro. Deu seus primeiros passos, seus segundos tombos, ganhou vestidos cor-de-rosa mas gostava mais de cinza-branco-preto, mas não devia ser menino de jeito nenhum, era uma flor, pequenininha e tão paparicada. Como todos crescem, ela cresceu, viveu tanta coisa! suportou tanta história, riu de tantas armadilhas e mesmo querendo chorar, sorriu. Aprendeu que nem tudo é como queremos, e que muitas vezes o tempo demora muito pra re-arrumar nosso mundo. Quantas vezes bateu a cabeça sem escutar sua mãe e até hoje isso acontece, e ainda diz " é errando que se aprende mãe! " E errando ela cresceu, e aprendendo ela cresceu, e se conhecendo percebeu que muitas vezes ainda não se reconhece, mesmo com seus vinte-anos-de-idade! Jac, parabéns pelo que foi, pelo que é, por viver, por crescer e por ter tanto carisma contagiante! E um pedido: sorria sempre! Feliz aniversário pequenininha que ainda é pequenininha!

Explicação da rosa com espinhos feitos de pontos finais

Tivemos muitos outros pontos, mas nunca foram assim, finais. Quando tudo desbota de um lado o pavor do outro lado é apenas o que fica num semblante sem sal, nem açucar, o simples olhar sem gosto, sem cor, sem cheiro... Realmente acho que é isso que um dia me disse: fantasia, e por essa fantasia, hoje vejo todos os fantasmas que ajudaram a alimenta-la. De tudo que ficou, eu jurava pra mim mesma que queria esquecer, e ainda quero... mas parece que não me conhece mais na hora da raiva e das minhocas dominantes de cerebro, é, é assim que as chamo agora e talvez seja você que tenha ajudado a dar-o-nome. Entre tudo, entre nada. Quero perto e quero o mais longe possivel. Eu ainda acredito que o rio está só do meu lado com toda a poeira que ficou, fazendo assim com que eu não consiga respirar tão bem. Na mensagem de ontem eu dizia " eu ainda to aqui... só que não sei por quanto tempo o oxigenio vai durar! " E me lembro de ter me faltado o ar hoje de manhã. Todo esse ar pra respirar e eu acho que nunca, nada fica bom. Nada como seres humanos, vezes tão encantadores outra tão desanimadores. E a gente criou, fez de tudo vermelho no tempo mas estranho da vida e apavorou-se várias vezes, eu me lembro bem do tanto que se preocupava com tudo, me tirava risos quando dizia que eu tinha a capacidade de te deixar tão sem graça quanto o criamos. Com o tempo a gente colocou água, colocou uma redoma pro vento não atrapalhar, e você, todo carinhoso cantavas, mesmo em momentos que não precisa, tu cantavas... eu até dizia para cantar alguma coisa em especial e sempre dizia o que era tão especial. Do seu lado não faltou tantas palavras, exeto algumas vezes, que me contou que não sabia o que falar nem o que fazer. Do meu lado sempre faltava alguma coisinha, uma palavra e isso pode ser até uma cobrança minha, eu sei. A gente cuidou, remou, tratou, colocou todo afeto nas mão, e comeu todo doce possivel - disse que até engordou - e eu achava o vermelho e o azul, lado a lado, mas com a mania de deixar pra depois. Agora, não temos a redoma a tal da rosa sente todo o vento do mundo, comi tanto sal que deu pressão alta, tu cantas mal - se ainda cantas -, o vermelho desbotou sem se re-fazer, o laço virou nó, a preocupação virou pó, o afeto virou a maior tempestade de todos os tempos - raiva - e eu? acho que esqueci o papel na cozinha, o cd com a capa da menina com qualquer música do zé melodia. Uma pausa. O telefone tocou, atendi, não sei quem foi que quis ouvir minha voz. Acho que não gosto mais da esperança, porque ela vira o meu mundo de cabeça-pra-baixo-sempre! E tudo isso sem explicação, sem lógica. A gente dizia mesmo em sentir coisas estranhas, mas não falamos muito delas... Aqui deixo todas as desculpas do mundo, todo o amor, todo afeto, todo o sorriso, todas as palavras feias e bonitas, o que dizia ser estranho, deixo o vermelho mais forte de todos com a palhaça mais pequena do mundo... Aqui deixo todo o doce que um dia fomos, comemos, vivemos, espalhamos e nos lambusamos feito crianças, afinal sempre fomos crianças! Eu com a rosa, não sei bem usar espinhos, talvez eles podem promover pontos finais como o de agora, ou não. A ultima nota da narradora " E eu que nunca amei ninguém, pude, então, enfim, amar "