Tivemos muitos outros pontos, mas nunca foram assim, finais. Quando tudo desbota de um lado o pavor do outro lado é apenas o que fica num semblante sem sal, nem açucar, o simples olhar sem gosto, sem cor, sem cheiro... Realmente acho que é isso que um dia me disse: fantasia, e por essa fantasia, hoje vejo todos os fantasmas que ajudaram a alimenta-la. De tudo que ficou, eu jurava pra mim mesma que queria esquecer, e ainda quero... mas parece que não me conhece mais na hora da raiva e das minhocas dominantes de cerebro, é, é assim que as chamo agora e talvez seja você que tenha ajudado a dar-o-nome. Entre tudo, entre nada. Quero perto e quero o mais longe possivel. Eu ainda acredito que o rio está só do meu lado com toda a poeira que ficou, fazendo assim com que eu não consiga respirar tão bem. Na mensagem de ontem eu dizia " eu ainda to aqui... só que não sei por quanto tempo o oxigenio vai durar! " E me lembro de ter me faltado o ar hoje de manhã. Todo esse ar pra respirar e eu acho que nunca, nada fica bom. Nada como seres humanos, vezes tão encantadores outra tão desanimadores. E a gente criou, fez de tudo vermelho no tempo mas estranho da vida e apavorou-se várias vezes, eu me lembro bem do tanto que se preocupava com tudo, me tirava risos quando dizia que eu tinha a capacidade de te deixar tão sem graça quanto o criamos. Com o tempo a gente colocou água, colocou uma redoma pro vento não atrapalhar, e você, todo carinhoso cantavas, mesmo em momentos que não precisa, tu cantavas... eu até dizia para cantar alguma coisa em especial e sempre dizia o que era tão especial. Do seu lado não faltou tantas palavras, exeto algumas vezes, que me contou que não sabia o que falar nem o que fazer. Do meu lado sempre faltava alguma coisinha, uma palavra e isso pode ser até uma cobrança minha, eu sei. A gente cuidou, remou, tratou, colocou todo afeto nas mão, e comeu todo doce possivel - disse que até engordou - e eu achava o vermelho e o azul, lado a lado, mas com a mania de deixar pra depois. Agora, não temos a redoma a tal da rosa sente todo o vento do mundo, comi tanto sal que deu pressão alta, tu cantas mal - se ainda cantas -, o vermelho desbotou sem se re-fazer, o laço virou nó, a preocupação virou pó, o afeto virou a maior tempestade de todos os tempos - raiva - e eu? acho que esqueci o papel na cozinha, o cd com a capa da menina com qualquer música do zé melodia. Uma pausa. O telefone tocou, atendi, não sei quem foi que quis ouvir minha voz. Acho que não gosto mais da esperança, porque ela vira o meu mundo de cabeça-pra-baixo-sempre! E tudo isso sem explicação, sem lógica. A gente dizia mesmo em sentir coisas estranhas, mas não falamos muito delas... Aqui deixo todas as desculpas do mundo, todo o amor, todo afeto, todo o sorriso, todas as palavras feias e bonitas, o que dizia ser estranho, deixo o vermelho mais forte de todos com a palhaça mais pequena do mundo... Aqui deixo todo o doce que um dia fomos, comemos, vivemos, espalhamos e nos lambusamos feito crianças, afinal sempre fomos crianças! Eu com a rosa, não sei bem usar espinhos, talvez eles podem promover pontos finais como o de agora, ou não. A ultima nota da narradora " E eu que nunca amei ninguém, pude, então, enfim, amar "