segunda-feira, 30 de julho de 2012

Você fica mais bonito na luz do Sol

Desculpa.
Eu fecho meus olhos a procura de uma palavra pela qual procuro minha vida inteira.
Perpetuamente a dor veio sobre meus braços. Afogo sobre o mar de sal, e quando chego até a superficie não vejo meu cais. Sobre a luz que escapa entre as frestas de algodão, vejo madeira, mas não me parece um cais, vejo os pés pendurados sobre o mar, como um semblante que se senta e triste se sustenta.
Não sei como cheguei ali, mas agradeço a Deus pela minha salvação e pela tua.
O frio era sobre a face do mar, e o Sol teimava em esquentar as águas, que até pareciam boas para beber, ali, minha sede quase me matava. Via a cicatriz exposta no teu braço, na tentativa de fuga, que você procurava e não via.
Conheci teu semblante, reconheci teu semblante no meu.
Não procurei tua história no livro de capa preta que tu olhavas na intriga de conhecer-te mais. Eu não queria conhece-lo, mas precisava.
Eu vim de longe.
Eu não vim a procura de fuga, ou ajuda, nem de morte ou de vida, busquei fôlego, e achei no teu cais, mesmo sem cobertura por ter sido roubado, mesmo sem riso por ter sido transpassado pela dor. Eu tossia, passava frio, passava fome, passava.
O que eu carrego no peito, não marquei nunca num livro, não sei varrer minh'alma só, por guardar tudo no quintal dela.
Sentei-me, e contei-me: Eu tive um amor, um amor do qual passou por todos os comodos da casa. Tive um amor que jurava-me um desenho, bordado num cd. Tive um amor de olhos escuros, cor de terra, cor de chão. Tive um amor, que por mim vivia a mim, e eu, a ele. Tive um amor que escolheu a ela, e que junto dela escolheu um filho pra criar, tive um amor que me deixou, que fugiu com a amante e que junto com ela engravidou, assim, ando de cais em cais, de rede em rede, de sede em sede, e de fome em fome.
Teu espanto ficara lindo no Sol que não secara meu choro. Nunca te expliquei o por quê do Sol? Pois bem, sou a chuva, a que recriou em mim, e reproduziu num apse em que eu, que só desenhos árvores, desaprendi a desenhar folhas.
E por medo, de perder-me te encontrei, e meu medo passou a ser o perder-te.
Hoje, perdi.
Me vejo no mesmo sal, levantando pro mesmo fôlego, só que me afundo outra vez, pois teu cais, não está lá, e teu riso que bordei, não foi o suficiente pra tu ficar.

domingo, 22 de julho de 2012

Acabar

A cada instante
meus braços atuam na disperção
e o pulmão tosse, como se fumante fosse, mas todo o ar foi roubado de mim - não sei por quem.
Caminhar no vão entre dois cais.
Num surto tento voltar pro meu,
mas a correntesa me carrega pra indecisão de mim mesma.
Todo o erro, que parece minunciosamente uma cilada,
onde o que eu desejo, e o que eu sonhei fazem uma luta,
uma luta sanguinária,
onde cada um bebe meu sangue,
até que a minha palavra termine em um só.
Meu erro foi assumido por teus olhos
e por teu riso.
Mas de quem eu falo se não de mim mesma?
Quando eu anunciar minha morte
não tentem a salvação,
pois a única que tenho é a que Deus me dá.

Poeisa pra vo-cê

Por onde meus olhos dançaram,
perdendo-se sobre o manto da Lua
que cobriu bem a mim pela rua.
Não sei do teu livro
mas quero ter uma letra bonita e funda
para poder nele escrever.
O encantamento vai solando meu dedos
que despertam a calmaria,
e eu que sempre escrevi de desespero
me arrisco nessas linhas.
Atualmente eu mesma me assumo
e te assumo por final.
Vou dando e recebendo um bocado
e pela lei des-natural parece que fica-se mais.
Não me perdi,
mas teu alento me puxa pro teu cais.
Esbanja esse riso na face,
mesmo que tarde, ou logo cedo - sol, chuva, vento.
Até que a pegadinha que te contei
me pegou,
e me bordou a madrugada inteira,
tentando achar então,
um jeito de explicar o que não se explica:
Que é esse teu eu, pra mim.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mas o quê?

Das minhas mãos
soltam-se as peles
por calos
de te amar.
Vou a transpirar frio,
no gelo da espinha
e a mordomia escorre entre minhas mãos.
Meus dedos choram
meus braços são fracos
e nunca vi tamanho desespero de estar em calmaria.
Quanto, que a sede
vem da minha saliva.
O que eu faço com o encanto? Que
por medo atraí meu peito ao suicidio
e quase que me mata
por matar-te.
Vai ver é o fluído do meu abandono
dos laços do festim
que hoje choram
por mim.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Nego

Meus olhos se perderam até achar-te.
Cautelosamente
aguçaram esses lábios
que cairam certinho nos meus.
Dos quais meus ombros
são escravos de cada beijo,
e a maçã do meu rosto
vira vitíma das mordidas.
Meus olhos se perderam pra achar-te.
Tanto
que meu querer passa pelos teus lábios
até chegar na tua lingua
a palavra " minha ".
Veio até meus olhos a calmaria,
e até a minha cintura as tuas mãos
que me prendem num laço
que me leva até tua boca
que mata minha sede.
Esse riso,
de quando eu vou fugindo do seu beijo
só pra matar minha sede minutos depois.
Tua boca
e os teus lábios são o que me contornam
e que me sejam
pro resto da vida.

sábado, 7 de julho de 2012

Solange Altomare da Cunha

Dizem que as horas
são só horas,
mas você ainda teima com a minha idade,
com a minha ida
e com a minha volta.
Eu nada seria
se tua idade fosse tão rápida.
Meu maior medo é pensar em perder teus gritos
e ouvir o silêncio dessa casa grande.
Entre todos os medos que eu tenho,
você é a solução
até pros pesadelos
que nós mesmas temos.
A pior faze de um poeta
é descrever a sua mãe
que de tanto que ela é,
não se compara com as letras usadas
dos amores mal resolvidos
ou da aflição da alma.
Parece que eu quero criar
tantas palavras, que nem eu
saberia se entenderia depois.
Poeta escreve a dor,
aí de mim escrever o amor de mãe,
que mesmo quando eu me pego falando que te amo muito
vejo que perto de você
não sei amar.
Mas sei, que um dia,
darei da mesma forma
e na mesma preocupação
pros teus netos!
E essa primavera
é mais uma florida
e mais florida
que todas as outras.
A tua força é a minha
o teu amor é pra mim
e o meu é seu,
pro resto da vida.