domingo, 31 de março de 2013

V

Vejo-o sentado sobre a árvore.
Ainda o amo.
Perante cada detalhe colocado sob a mais temível perca, retida, que reteve o laço infinito do infinito que é nossas almas quando colocadas lado-a-lado. Mesmo que perdidas, diria que ainda vejo a aquarela da tua, como quem vai detalhando o poema e as curvas que tuas linhas fazem a cada ponto.
Foram-se anos. Anos a ponto e a beiras, todas as beiras com quinas que emendavam qualquer carinho que sobraram de nós para nós mesmos, quando pouco resta, tudo que se junta, é tanto quanto a variedade de ideias que assolam o pensamento perpétuo de tê-lo.
Retenho-me.
Num ato que não desato só, que não varro a mim mesma, que desconheço a atitude por mim feita.
Escuto cada respirar como a cada farol vermelho que você não ultrapassa, ficamos, sãos, ambos para as suas janelas e nada por entre o meio fio se encontra, ainda que você deseje, ainda que eu queira, ainda que eu deseje que você queira como sempre quis.
O medo me assola, me assombra, me domina, e me ataca...
Mas, quando penso em deixar-te por não acreditar na amizade distinta de nossos corpos - seja ela distinta por vivencias antigas ou renovadas - desisto de lembrar que algo que possa nos separar ainda exista.
Na mais terrível cautela, não beijo teus lábios, e quase que desisto de mim, por não conseguir mais desistir de você.

terça-feira, 26 de março de 2013

Se-pa-ra

O tom do
o-
lhar
descolore tintas.
Sob mim
co
lo
cam
-se...
Não as vejo.
Apenas sinto
o
efei-
to que me fazem
na alma
e como
se
ca-
lam,
na noite.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ou há

Eu aceito.
O risco que a vida me deu, como quem arrisca a própria vida, para dar-se, à partir, da própria morte, mesmo que com ternura, faça-a. Morrerei sem ar, ao desligar-me de você como desligar o telefone, num soluço eterno de querer contar-te de como meu orgulho foi parar nas tuas mãos, levando-me por inteira até teu peito, fazendo-te me carregar a cada amanhecer distante, quando nossas almas não se encontram, mas se pensam. Assim, meus argumentos de pertence-la, se esvão junto com a ideia de teu noivado perfeito, para que, eu nunca hei de atrapalhar, te excluo, excluo no termino mais doloroso, na ida mais perdida, mesmo que o mar, dessa vez, navegue barcos de papel em romaria, por luto, por medo, ou por quaisquer motivos que releve tua ida.
Eu fumo como você.
Ainda, no absurdo de poesia, escrevi o lado sombrio de pertence-lo sem ao menos te colocar por sobre a coberta dos meus cabelos curtos, bagunçados, que imitam os cachos. Nada que em mim vive, acalma a perfeição, não a faço, mas se minha calmaria, num soluço não se esvai, eu te daria, se num acaso, num impasse me contar toda história da qual eu me atraí, e te distraí.
E então, nessa junção de ser ou azar, fiquemos, nus, aos olhos da misericórdia da vida, pra ver, se no próximo dia, numa padaria, a gente se reencontre, e você, rindo com teus filhos, me veja de passagem, me veja indo pro meu sonho, correndo pro mar, fugindo do que eu haveria de criar, se você viesse comigo.

2

Como tudo que começa,
onde termina.
Deste momento fizera o mais triste e o mais perfeito, onde, o que deveria ser feito antecipadamente, fora esperando um fim, e entre todos eles, os outros fins, foi-se num vômito e num anseio, como tê-lo e não querer tê-lo jamais. Motivos categóricos de vidas os juntam, e os mesmos, os separam, como num olhar critico ao filme, mesmo que, eu não aceite a tal, ainda o ame. E fora como foi, notável como era, doce quanto amargo, simples quanto complicado, tão incorreto e incerto, que a certeza era uma só. Ainda é uma só.
É doar-se inteiramente para adoção de seu peito, mas sempre vem um mau sujeito que insiste de quê, tudo, seria melhor. A busca inalcançável pela vitória, torna-te mais comum cada derrota, e vive na sede, do poder, do ganhar. Eu nunca quis nada, eu quem sempre quis dar, quase nunca dei; o amor ainda vive ao peito e lamenta a perda, a ida, a solidão, mas de tanto se acostumar com as quedas e tropeços, de tanto acostumar com o gelado do chão, faz do vento amigo, pra ver se dessa vez vem algum abrigo bom.