domingo, 31 de março de 2013

V

Vejo-o sentado sobre a árvore.
Ainda o amo.
Perante cada detalhe colocado sob a mais temível perca, retida, que reteve o laço infinito do infinito que é nossas almas quando colocadas lado-a-lado. Mesmo que perdidas, diria que ainda vejo a aquarela da tua, como quem vai detalhando o poema e as curvas que tuas linhas fazem a cada ponto.
Foram-se anos. Anos a ponto e a beiras, todas as beiras com quinas que emendavam qualquer carinho que sobraram de nós para nós mesmos, quando pouco resta, tudo que se junta, é tanto quanto a variedade de ideias que assolam o pensamento perpétuo de tê-lo.
Retenho-me.
Num ato que não desato só, que não varro a mim mesma, que desconheço a atitude por mim feita.
Escuto cada respirar como a cada farol vermelho que você não ultrapassa, ficamos, sãos, ambos para as suas janelas e nada por entre o meio fio se encontra, ainda que você deseje, ainda que eu queira, ainda que eu deseje que você queira como sempre quis.
O medo me assola, me assombra, me domina, e me ataca...
Mas, quando penso em deixar-te por não acreditar na amizade distinta de nossos corpos - seja ela distinta por vivencias antigas ou renovadas - desisto de lembrar que algo que possa nos separar ainda exista.
Na mais terrível cautela, não beijo teus lábios, e quase que desisto de mim, por não conseguir mais desistir de você.