domingo, 12 de maio de 2013

Isabella

Vem, e vai.
Tá crescendo.
Crescendo e perguntando de tudo,
da nuvem,
do céu,
da árvore,
dos bebês...
E essa história de bebês nunca se resolve,
ela é espertinha demais
e pergunta pra todo mundo,
e cada um, responde o que dá,
e ela,
desentende.
Brinca,
brinca,
de coelho,
de professora,
de mamãe.
Isabella vem, e vai.
Tá crescendo.
Crescendo e crescendo,
logo tá mais alta que eu!
Falando da idade,
da escola,
do Papai,
da Mamãe,
do dente que tá mole, mole,
e tá querendo sorvete no frio.
Isabella vem, e vai.
Pergunta do meu amor,
e eu digo que a vida levou-o embora,
e ela ri,
e me chama de bonita antes mesmo que eu lamente por meu amor.
E pra felicidade,
ela brinca no meio-fio das linhas do chão,
diz que vai ser equilibrista,
e eu, como quase tia,
me desmancho de saber,
que alguém ainda sonha com a realidade que tenho eu.
Isabella vem,
e vem,
e nunca vai,
e eu, deixo que ela venha,
que o sorriso dessa pequena moça,
é tão doce e tão grande,
que me abraça por inteira.
E Isabella me chama,
e eu,
estou indo já.

domingo, 5 de maio de 2013

Airton

Meus olhos de fundo longo quer encarar os teus.
Depois da chuva a brisa procede a terra ainda molhada, isso quando, não nos deixa em poças imensas, parecendo que alguém haveria de chorar lá de cima. Os engravatados percorrem o caminho sempre sem riso, pulando por entre o chão ainda molhado, achando que sua firmeza está em estar seco, como sempre são, secos.
Os pais gritam, enquanto os filhos, presos por suas mãos de aços querem pisotear a chuva e se molhar por inteiros enquanto fazem o caminho de casa.
Os ônibus, lotados de gente resolvida da vida, todos de pé como quem aplaude mais um pouco do caos e se faz parte dele, mas os ônibus também estão de janelas fechadas pra chuva não molhar.
E quem, anda sem guarda-chuva, sempre corre com alguma coisa cobrindo a cabeça, como se fosse cair um meteorito, ou então, como se a água queimasse.
Eu, deixo molhar.
Deixo que molhe todas as esperanças dóceis e amargas que podem permanecer em mim sem sucesso, pra que, minh'alma alimente a ilusão de que elas persistam pós a chuva. Deixo que molhe meus olhos fundos para que neles contenham as lembranças mais sérias e mais putas que meu corpo absorveu por entre as linhas da vida. Deixo que molhe a roupa que visto para que pese sob meu peito e ainda assim alivie meu calor, ou que ainda me faça tremer de frio.
Deixo que molhe meu ponto de partida e de chegada.
E deixo que aprendam mais de mim, como eu aprendi de mim com você.