quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Cabides

Ganhei alguns cabides de madeira.
Temo arrumações de guarda-roupa.
Guardo tudo que não cabe, que não serve, que não uso, que gasto excessivamente num ato desgastante de qualquer peça que me sirva pra mera autenticação de caráter. Essas peças permanecem a décadas, intactas, vezes em perfeito estado, conservando lembranças vagas do estado emocional do qual jurei me portar, longe de racionalidade.
Ouvi dizer que a racionalidade é essencial ao cotidiano de cada ser que pisca e que cabe em sua cabeça algo que traga entendimento e valores impostos, mas, sempre sobrevivi ao leo, na deriva e na esquiva de tudo que me causa a ânsia de pensar, na reluta de qualquer vontade em mim causada, seja pelo peito ou pelo seguro desejo que a carne lambuza em lâminas cortantes.
Temo arrumações que causam qualquer tipo de dúvida frequente entre meus ais e meus afazeres, chega a me ofuscar os olhos e a tapar meus ouvidos que escutam vagamente o fundo musical da desilusão de que tudo passa, ou deveria passar.