Sempre chega a hora de arrumar o armário.
É chegada a hora que a poesia se finda e se eterniza, a ponto que, tudo que foi dito ou transcrito se torna inevitavelmente amargo, como um sussurro que chega ao pé do ouvido causando o despertar do seu corpo em calafrios inalcançáveis, mutáveis, e nunca duvidosos de aflição.
Minha poesia sempre foi perfeccionista, ousou em narrar amores inenarráveis, dores incalculáveis, sentimentos indescritíveis, e momentos. Jurei que minha poesia seria o momento eterno de tudo que presenciei, afirmei e calei para consentir, mas, todas elas fugiram da eternização das minhas lembranças, onde não tenho nenhuma decorada.
Vivi de fantasia, com a ilusória certeza que me seria gratificante somente o impasse não vivido, as palavras não ditas, os beijos inalcançáveis e todo amor mordido em forma de lobotomia.
Usei os tres pontos como se fosse fácil, utilizei da forma incorreta e incontornável de manter o que não estava e nem se fazia presente, alucinei milhares de vezes em passos rápidos, e nos devastadores passos lentos a procura de algo que me fosse inteira, que me deixasse longe do impasse que eu sempre forcei ser, forjada a um eterno ciclo de meios, e atormentada se algum dia tivessem eles o fim.
Finalizei de forma amarga a irritação do meu peito na espera, na angustiante espera por qualquer coisa que me fosse doce aos lábios e ardente ao coração. Esqueci-me da alma, da qual me manteve viva e inconstante, alimento meus pesadelos com um maço de cigarros por dias, e não consegui mais me desfazer deles (nem dos pesadelos, nem dos cigarros).
É amargo o gosto do qual me tornei, o restante são só meros encantos que minha beleza carnal e brutal se tornaram quando pregadas a sorrisos diferentes dos meus.