quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Texto 1 - O que vem depois

A frase foi tão cortante que senti minha boca secar as palavras que tinha dito antes, e que sem perceber se perderam após da minha mudez diante do que meus ouvidos ouvia. Parecia uma faca de dois gumes: como se fosse preciso eu ficar e ao mesmo tempo ir embora.
Um dia você acorda, sorri, faz compras no supermercado, reclama que o leite está caro, come alguma coisa rápida no carro no caminho de volta pra casa, e num outro, você acorda com seu corpo dormente, sua garganta seca, sem vontade de levantar da cama e com o coração mais apertado que um pássaro numa gaiola.
Procurei soluções lógicas e rápidas, mas nenhuma delas seriam de fato positivas para o que acontecia diante de mim, nessa mais embaraçosa situação onde meus braços se sentem pesados e uma felicidade, ainda que minúscula, me dá todas as razões pra seguir a diante (literalmente todas).
Sempre escrevi textos bonitos, ou ainda que tristes, com um final, esse não tem.
Ainda estou no impasse, com as olheiras, o choro que engoli e a esperança de que pode ser diferente.