quinta-feira, 26 de maio de 2011

A rosa muda

muda,
musa,
formosa,
fingida,
mentirosa,
abecedário de rosa.
que fica
na vida
na ida
do ser humano que grita
que sente
espinhos
da rosa
decente
que mente
que finge
e se penteia feito pente
no peito da vida
do grito da ida
da vinda,
te ter os defeitos
da rosa muda
miuda, por fim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um à dois

expressão
daquelas palavras que formam a linha tremida e temida
das palavras que guardei tanto
do que não falei por sentir de me calar
o sentido que nunca fez sentido algum de sentir
menos re-viver
é, deixamos pra lá com mais um deixa pra lá
final de frase
com qualquer palavra que um barbudo canta com um violão no braço
sem qualquer coisa
com todas as coisas que ficaria sem
sem saber da ida
da vinda
canções que não existem mais
não ali contigo
além do disco da capa da menina vermelha
que espera no correio
mas não cabe
não chega
não esperavas mais
mesmo esperando tudo de volta na volta do tempo
sem medo
sem erro
sem ser meu
nem teu
nem nosso o que sempre foi nosso
as mãos geladas
o vestido do frio roxo
com sacolas pinduras no braço
de quem não toca na vida
mas de quem se atreve a escrever
do nariz vermelho
que a menina vestiu
então o homem que ela não viu
vendo
olhando com os olhos castanhos
como gato ao peixe
agora
como o galo ao tigre

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Pelo que foi, pelo que não foi

viveu muita coisa sem viver
sentiu muito, sem sentir um ao outro
quis tanto e não teve nada
teve tudo e não teve quase nada
tentou ser tudo e foi, foi fazendo tudo do não ser tudo
a gente se fez, e re-fez em milhares de bagunças entre mundos açucarados dos quais a gente alimentou bem, distante.
e tudo deu no que deu,
no nó da mistura da cor
um devorou o outro sem decifrar,
e o que sobrou a gente ainda tenta juntar, pra tentar re-viver e entender o que foi este furacão louco que o vento soprou
que trás a saudade que a nossa vida teve ou manteve
por qualquer tempo, talvez o tempo conte mais ou menos de nós!
a gente só guardou todo esse amor louco na nossa loucura de fugir da rotina,
tudo diferente com um fim relativamente parecido
e hoje a gente é, ou não é
com falta, com cor, com doce e com sal...
juntou a fantasia e o presente da pequena,
com a realidade e o futuro do gigante,
a gente se perdeu em alguma vontade de nós dois e que eu nem sei ao certo qual era.
eu sempre fui a bagunçada na linha reta sempre a torta.
demorou um tanto quanto pra sentir, e agora demora, ainda demora pra re-aprender a desaprender a amar ou re-amar sem desamar.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

I-A

dia, via, desvia, copia, re-cria mas ainda nada rima
é a mistura da letra i com a letra a e mais outras trilhões de letras que esqueci de anotar.
e só a gente vê sem vê o que nunca viu do jeito sem ver.
com aquela bagunça de gente, com a bagunça de presente, com seres-humanos que irritam sem saber que notamos a cada um daqueles bichinhos voadores com links que clicamos enquanto somos devorados e ficamos secos
tenebroso por dentro,
nada encantador por fora... mas parece uma rima sem clima!
tua ou minha
ou qualquer culpa de qualquer bagunça de lata largada
prata, ou sei lá quando tudo volta se volta sem voltar.
só não sou fã de partidas, de largadas, de faltas, de azares, e de mal-dizeres do ditado popular.
só mania, tudo na minima mania da menina da flor vermelha
via o dia que copia enquanto desvia da rima que re-cria o dia-a-dia.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Preterito imperfeito

mais-que-perfeito
no dia azul de frio com a manhã ensolarada vermelha que dizias ser azul
ao pó do pó sem café
é como ter idéia e deixar de ter por não saber fechar a porta
faz certo, ou faz errado, só não faz
esqueceu a muito tempo onde largou toda essa maldita raiva que sufoca.
que eu odeio odiar de guardar...
diz por dizer palavras-cruzadas nas linhas tortas da tua estrela guia sem luz
não quis procurar, aliás suplicava entender para editar sem saber mesmo o nome da flor
o quente do frio que bagunçou a cabeça de mais um em alguma linha sem fim
sem reta,
sem certa,
sendo correta
do incorreto que te fez sentir.

domingo, 1 de maio de 2011

Sobra tanta falta

falta espaço entre os dedos azuis da sua mão gelada... a númeração do lote na garrafa de cerveja importada. tem vezes que falta, tem vezes que sobra tanta falta. sou chata, não sei dizer ao certo mais nada, mas sei que perdi umas palavras no caminho de casa e alguns olhares em esquinas no dia de chuva. nada de coisa ou outra. na verdade eu não sei, tenho gosto em brincar com palavras e com cores sempre-euq-possivel e não ligo, apenas desfaço ordens da lingua portuguesa quase sempre... afinal minha expressão raramente tem sentido entendido por quem não sabe olhar com os olhos da alma. as vezes lamentavel por si só. sabe, a chuva as vezes vem pra esquentar, mesmo quase nunca esquentando, e não sei se ela cai forte ou fraca, mas ela é gelada, e as vezes me sinto tão gelada e triste como chuva no dia de frio, mas sempre aparece um sol, ou quase sempre. eu tenho tanta falta, tanta falha, tão tudo e tudo nada, nada presta... me pareço azul, depois amarela mesmo ainda sendo vermelha. e eu não sei mais, já virou a bagunça da bagunça mãe em fatos reais desleais com a humanidade trabalhadora em regras de capitalismo. eu só me acho no muito pra pouco e poucas vezes pra tanto, acho que como o borrão de café conta a vida, as palavras descrevem a loucura que a propria vida é, ou nós fazemos questão de se vestir do super-homem e vencer os montros com ajudas de pessoas sempre. eu gosto de pessoas, sabe, tem dias que são encantadoras e vezes tão desanimadoras, quase sempre nunca estável, quase sempre nunca tão notável... algumas vezes me perdi em tanta gente que se auto-elogia e logo se desfaz feito um laço de sapato. não me prefiro, as vezes acho que em algum dia da vida isso pode ocorrer, o que seria bom, ou lamentavel, gosto de preferir coisas distintas de mim. as vezes vejo a bondade fazendo com que a maldade não seja tão notavel nem especifica. odeio o certo e o errado, gosto de me escolher entre escovas de dente coloridas, imaginando as manias do ser-humano mais doido da face da terra... e imagino porque raios o ser-humano é tão preto e branco no meio de tantas cores a vida cruel dá ou empresta. sabe, eu não sei ainda pra que sobrar tanta falta de tudo que não sobra.