sexta-feira, 29 de julho de 2011

Temo a mim

Temo desgostos,
contorno-te a ti em qualquer pedaço de papel
que guardo em meio a poças d'água.
Temo o medo do teu realejo,
que por si só fala de imperfeições minhas,
notavéis e embaralhadas no teu baralho.
Temo mais a mim, que a ti.
Temo as águas mansas,
o prumo tão solto do medo de cair,
e as botas que tu me deste não servir de apoio,
mas de cerca elétrica,
alérgica a mim.
Se pensar me tiro,
se não pensar fico-me.
Os meus encantos falavam de temores,
escreviam mais que a mim
que senti horrores, por pensar em perder a ti.
Sonhei um sonho iludido,
no amor mal resolvido.
Acordou-se o dia meu bem!
Digas que fica, e que fica em mim.
Vem dormir comigo enquanto o galo canta..
Que no nosso pesadelo,
a gente faz
juras,
e me diz que teu realejo mais é um desejo,
e que me amarás se perdendo no tempo,
perdendo-se em mim
como nunca.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Banco de espera

Roda gigante.
Tralhas e fantasias,
o que cai de mim em pulos.
Pulo entre prantos teus.
Gasto,
com olhos arregalados.
Teu outro eu me espanta,
seca a minha guarganta
me faz engolir a seco.
Outro teu com falta minha,
logo minha?
Espanto-me.
Afasto-me.
Mas volto,
e grudo.
Enquanto o celular toca o eco,
a gente se permite sentir.
Mas aqui?
No banco?
Com o céu cor-de-rosa da outra?
A outra está tão longe,
o aconchego dela foi o meu
com o teu par.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Teu nome de refrigerante

faça-te um desenho, com cores nas flores, pra mim,
assina-te assim,
mas com o meu nome num cantinho
te guarda junto,
e te lembra que de canto eu lembro você.
não sei como me perdi no laço teu de um encontro;
na conversa de tantos desencontros.
só.
devoro o decifra-me,
que me decifra em frio no rabo do medo,
do teu lado do laço
que me desfaço sem dó.
tão só.
na fantasia dos doces,
dos mundos encontrados
des-ligados feito pó.
tô tão só.
no vento do samba,
hoje não sambei
chorei na roda,
ao som de cartola saindo de ti.
desafinei só,
errei a letra,
nunca pensei que teria uma,
tua.
desacredito no fim
no ponto de recanto.
sou tua, ainda só.
de soslaio te vejo sorrir
e ainda me mata nesse riso!
soltei o prumo e me deixei cair,
e a gente
que se devore.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Saudade

saudade
sadeuda
saudeda
sadaude
sdaudea
sudedaa
sadudae
não importa a ordem,
nada é em ordem.
mas a saudade,
no pé da letra que for
só existe saudade!