sexta-feira, 29 de julho de 2011

Temo a mim

Temo desgostos,
contorno-te a ti em qualquer pedaço de papel
que guardo em meio a poças d'água.
Temo o medo do teu realejo,
que por si só fala de imperfeições minhas,
notavéis e embaralhadas no teu baralho.
Temo mais a mim, que a ti.
Temo as águas mansas,
o prumo tão solto do medo de cair,
e as botas que tu me deste não servir de apoio,
mas de cerca elétrica,
alérgica a mim.
Se pensar me tiro,
se não pensar fico-me.
Os meus encantos falavam de temores,
escreviam mais que a mim
que senti horrores, por pensar em perder a ti.
Sonhei um sonho iludido,
no amor mal resolvido.
Acordou-se o dia meu bem!
Digas que fica, e que fica em mim.
Vem dormir comigo enquanto o galo canta..
Que no nosso pesadelo,
a gente faz
juras,
e me diz que teu realejo mais é um desejo,
e que me amarás se perdendo no tempo,
perdendo-se em mim
como nunca.