domingo, 19 de agosto de 2012

Bravio

A sede dos olhos secos.
Maré alta de lábios vermelhos
que pintam meu semblante branco.
Via o frio escorrer feito as águas desse imenso mar,
onde meu jogar da âncora é incerto.
Instável havaria de ser minha raiz,
mas puxo todas as minhas origens
pro fundo do mar.
Me desarrumo ao arrumar-te pra ela,
e em saber que em mim, curar-te
custou-me
cada membro falido do meu corpo apertado.
Minh'alma abandonada de amor,
num mar bravio,
num congá vazio,
de você.
Procurei até na vazante teus olhos
e sem achar-te,
fali.
Falhei na hora em que minhas mãos cortaram as tuas,
onde cruzei teu destino marcado
marcando o meu.
Desde que você partiu pra quem vou navegar?
Não me ajuda, que meu cais, agora, só cabe eu.