Cheguei-me.
Nua.
Como a alma de um barco sem congá. Fiz-me, como quem se devora por dentro antes mesmo de nascer, e como o sangue que corre em minhas veias, padeci, por entre as juras que a vida tirou do alcance dos meus olhos.
De tão ilusória que a história seja, a narração é minha loucura, é a loucura que atraí a necessidade de qualquer ser, de prevalecer no caminho certo. Chegou sobre minha mesa o manjar dos deuses, que nunca chegam aos pés de Deus.
Em vista está minha alma, por onde me chegas, e por onde me canso de carrega-la, insultando a mim mesma no erro mais drástico de toda vida, que ocorre em toda vida, quando se fala de melodia mansa e de peito que nunca respira só. Não escolhi tê-lo, mas escolhi escreve-lo numa outra vida, pra nessa, encontrá-lo, quando deixei de procurar-te.
Meu reflexo errante. Errante por apenas criar o pecado e não permanecer no perdão. Por quando a trilha atira pro alto e onde cair, a vida tira o folego. Atirou-se na calmaria como quem atira cego e acerta. Do qual a história enfim acaba quando se inicia o ciclo. Uma supernova acontecera, daquela que o poeta conta os segundos do inicio e se retorce na cadeira para contar o que se vê e não sabe por onde começa.
Se o perigo fosse atrai-lo, já corre-se o risco de imediato quando não só se atrai, mas se contrai, se jura e des-jura e faz de risco a vida que arrisca quando junto de sua alma sai. Acaba que conta o tempo, passa pela avenida e grita o nome, que já decorou a tão pouco tempo.
Nesse momento, tudo jura que conhecera a outra metade da laranja que se conta em tantas melodias bandidas que toca sempre na mesa do bar mais sujo da cidade. Nesse instante a vida mostra que os agentes do destino existem, e que o acaso perde-se quando tenta arriscar-se. Quando se encontra na beira da montanha mais baixa e agenda a queda, sabendo que do chão, dessa vez, se passa.
Me vi.
Ali.
Sentada.
Como quem atira pro alto e vê onde cai, já fora escrito antes, é um ciclo, vicioso, como saber que o que se assenta ao lado é quem o destino escreveu e apagou por ódio de quem aqui escreve, sabendo que o tal o escreveria tão bem, e que por medo, fez-se a troca.
A busca ainda é inatingível, o carne não cansa e a alma reclama.
O que um poeta escreve marca a vida, por isso te escrevi.