quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Olhos de fita

Tudo que era fora, passava, brando.
Se esvai, como quem vai de primeira passagem. Ainda com olhos pequenos, esbanjando sono, via, e como via! Eram dois assentos, mas nas tuas reviradas, pareciam um bem pequenino que mal cabia-se. A janela já grande e úmida crescia inda mais perto das minusculas mãos. Tudo era rápido que teus olhos nem se atreviam a piscar pra não perder o tempo.
O vagão ficara pequeno perto de tamanha grandeza.
Tudo se passava, mais dentro, do que fora.
De fundo ele ria, se indagava com o que via, eram tantos muros e guias, tudo parecia tão longe que nem se olhava por inteiro. Os olhos de fita, fitam e narravam o vazio da manhã. Esses olhos tão puros, dos quais nem imaginamos que junto com os coleguinhas podem aprender os palavrões da vida.
Eu, na rotina, desci, na mesma estação.
Ele?
Ele foi-se num apito, num fechar de portas, entre pessoas que mal se olham e já se encaram. Foi ver que logo depois dos muros, fica o Sol que essa manhã escondeu da cidade cinza.