terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Boa noite, amor.

Vivo de vômitos,
como os pássaros que vivem de asas.
Vivo imensamente da ideia silenciosa
de que a dúvida
cerca minh'alma sobre um amor brando,
que numa sede
eu o engoliria inteiro
sem mesmo saber se sê-lo,
teria-te.
Desconto sobre o canto dos meus olhos
que mostram em pranto
o que trariam à tona,
mostrariam-me nua, na imensa fraqueza dos meus sutis anseios.
E quais seriam?
Se por minha pele branca
razoavelmente rosada
se entrelaça e esconde-se
por lugares que eu duvidaria achar.
Meus olhos,
sujos,
por segredos inconcebíveis, num pensamento do qual me arrisco,
num sinal do qual procuro,
no medo do qual persisto em vence-lo
e por final,
ao sonhá-lo num doce absurdo de largar o resto
e ser-me,
por tudo.

Não só

Poderia sê-lo sem antes pertence-lo em suma?
Traria por sobre meu corpo teus mantos
e junto de sua pele quente
esquentaria o comodo mais insensato da casa.
Ei de solar minha mãos
por onde encostara, e ainda
me sento,
pra ver se teu cheiro ainda soa.
Esses teus olhos que foram tão meus.
Vejam.
A poesia me voltou
antes mesmo de perde-la
sem que notara que nunca a esqueceria por fim.
Como quem ama,
como quem sofre,
como quem atua bem na mentira que tem
e se carrega
junto dela,
pronta pra morrer.
A quais braços pertences por fim?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Horvath

Tem teu cheiro dentro de um livro.
Você tem meia hora.
Meu estômago morre, meu peito em cinzas por luto. A carne me dói, é como uma explosão de buraco negro, que engole o que pode. A dor de manter-me sã causa impacto com o coração, que implora por um acontecimento anestesiado, cujo o evento fora feito. Acontece que um cobertor não me basta. Juras que não volta. Não me alimentei ainda. A chuva, que talvez traria o cheiro de água pra casa inteira foi-se embora.
É carnaval.
Minha casa anda sem Sol, o céu, também não ajuda na recuperação do meu corpo.
Errei. Errei em escreve-lo para amar-te, me desculpa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Século XVIII

Antes.
Como o condutor de dança conduz a dama.
Fora conduzida pela alma que palpita por fabricação própria. Acredita que teu véu de virgem ainda está intacto sobre teus cabelos longos, nunca cortados, e sobre a fé, dos quais juram que tua vida fosse a coesa entre a humanidade terrestre. Atraiu-se sobre quem se atraí ao descuido de irresponsabilidade de um adulto, que quando livre delas, acredita que a vida pode parecer mais leve do que é. O amor se subjulga sobre teu controle, que não significa nada perto do tal véu, de tal moça.
Tudo parecia intacto até o auto da noite passada, quando se ouviu o uivar de lobos sobre a Lua cheia, e o vento sobre a janela aberta de teu quarto. Hoje, voltara a responsabilidade que a vida deu-te por mérito. Já que durante a noite, rasgara o véu da prometida de Deus, e abusara dela. Ela, jurava-te o amor que em ti padecia, e mesmo que querendo converte-la aos teus juízos, fez-a, tua, sem cuidar do resto de tua casa. Ato que fizera para seu próprio suicídio e sede. Tua alma vazia precisa de um amor, ou de uma noite, pra se recordar.