Sempre chega a hora de arrumar o armário.
É chegada a hora que a poesia se finda e se eterniza, a ponto que, tudo que foi dito ou transcrito se torna inevitavelmente amargo, como um sussurro que chega ao pé do ouvido causando o despertar do seu corpo em calafrios inalcançáveis, mutáveis, e nunca duvidosos de aflição.
Minha poesia sempre foi perfeccionista, ousou em narrar amores inenarráveis, dores incalculáveis, sentimentos indescritíveis, e momentos. Jurei que minha poesia seria o momento eterno de tudo que presenciei, afirmei e calei para consentir, mas, todas elas fugiram da eternização das minhas lembranças, onde não tenho nenhuma decorada.
Vivi de fantasia, com a ilusória certeza que me seria gratificante somente o impasse não vivido, as palavras não ditas, os beijos inalcançáveis e todo amor mordido em forma de lobotomia.
Usei os tres pontos como se fosse fácil, utilizei da forma incorreta e incontornável de manter o que não estava e nem se fazia presente, alucinei milhares de vezes em passos rápidos, e nos devastadores passos lentos a procura de algo que me fosse inteira, que me deixasse longe do impasse que eu sempre forcei ser, forjada a um eterno ciclo de meios, e atormentada se algum dia tivessem eles o fim.
Finalizei de forma amarga a irritação do meu peito na espera, na angustiante espera por qualquer coisa que me fosse doce aos lábios e ardente ao coração. Esqueci-me da alma, da qual me manteve viva e inconstante, alimento meus pesadelos com um maço de cigarros por dias, e não consegui mais me desfazer deles (nem dos pesadelos, nem dos cigarros).
É amargo o gosto do qual me tornei, o restante são só meros encantos que minha beleza carnal e brutal se tornaram quando pregadas a sorrisos diferentes dos meus.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Nota
Comparação derradeira entre a armadura e a carne da qual a veste.
Escudo complemente penetrável por ambos os lados construindo sensações derradeiras da parte que tem vida.
Como um ser humano que endurece o teu sangue até virar ferro, para que evite a dor de qualquer sentimento do qual possa o penetrar a ponto de estrangular tuas veias e te fazer frágil, e ao mesmo tempo o receio de ser tão impenetrável que teu sangue afina, a ponto de estar prestes a sentir qualquer derradeiro de vida ou morte.
É um corpo humano, é uma face perfeita, é a verdadeira vida no seu caos de querer controlar tudo, se esquecendo que quem o comanda é o tempo, o vento, o espaço, Deus.
É o melhor e o pior desse alguém, seja ele quem for - meu maior medo é que seja de fato eu.
Nesse caso, sua vida nunca será um ponto, sua magnitude é branda e forte enquanto gira suavemente ao som de um universo paralelo que todo dia a ciência tenta descobrir.
Escudo complemente penetrável por ambos os lados construindo sensações derradeiras da parte que tem vida.
Como um ser humano que endurece o teu sangue até virar ferro, para que evite a dor de qualquer sentimento do qual possa o penetrar a ponto de estrangular tuas veias e te fazer frágil, e ao mesmo tempo o receio de ser tão impenetrável que teu sangue afina, a ponto de estar prestes a sentir qualquer derradeiro de vida ou morte.
É um corpo humano, é uma face perfeita, é a verdadeira vida no seu caos de querer controlar tudo, se esquecendo que quem o comanda é o tempo, o vento, o espaço, Deus.
É o melhor e o pior desse alguém, seja ele quem for - meu maior medo é que seja de fato eu.
Nesse caso, sua vida nunca será um ponto, sua magnitude é branda e forte enquanto gira suavemente ao som de um universo paralelo que todo dia a ciência tenta descobrir.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Eu - por mim mesma
A sala de estar está cheirando a cigarros, tem uma garrafa de água em cima do móvel, algumas bolsas (das quais alterno durante a semana) e blusas de frio.
Na cozinha, louças: secas e prontas pra guardar, molhadas e esperando para que sejam lavadas. Algum pedaço de bolo de padaria no forno, um pouco de refrigerante, seguido de latas de cerveja na geladeira. Molho pra salada, entre outras coisas. Chocolate ainda no armário (não pude comer essa semana) e se não me engano, duas balas de canela.
Nas escadas, sapatos, e um chinelo florido.
No banheiro, cremes de corpo, de rosto, cotonetes, até porque me dói não escutar direito enquanto alguém me grita (se alguém gritar algum dia).
Meu quarto, minha cama, meu guarda-roupa, a mesa de canto que ampara tudo, o mural de fotos sem algum retrato ou lembrança. Livros na poeira do apoiador. A televisão sempre ligada, sempre sem som (as vezes, na madrugada, tento imaginar o que eles falam tanto). Alguns, poucos indícios de cigarro, seguido do cheiro do perfume que está em cima da estante.
Tudo isso se parece com a minha alma, em cada cômodo da vida, em cada erro cometido e prometido mudança. Sou a bagunça que destoa com qualquer outro tom, que deseja o peito grande, os olhos fitados e as mãos vazias: meu melhor presente seria o amor, que escapa da minha saliva sem me dar tchau.
Na cozinha, louças: secas e prontas pra guardar, molhadas e esperando para que sejam lavadas. Algum pedaço de bolo de padaria no forno, um pouco de refrigerante, seguido de latas de cerveja na geladeira. Molho pra salada, entre outras coisas. Chocolate ainda no armário (não pude comer essa semana) e se não me engano, duas balas de canela.
Nas escadas, sapatos, e um chinelo florido.
No banheiro, cremes de corpo, de rosto, cotonetes, até porque me dói não escutar direito enquanto alguém me grita (se alguém gritar algum dia).
Meu quarto, minha cama, meu guarda-roupa, a mesa de canto que ampara tudo, o mural de fotos sem algum retrato ou lembrança. Livros na poeira do apoiador. A televisão sempre ligada, sempre sem som (as vezes, na madrugada, tento imaginar o que eles falam tanto). Alguns, poucos indícios de cigarro, seguido do cheiro do perfume que está em cima da estante.
Tudo isso se parece com a minha alma, em cada cômodo da vida, em cada erro cometido e prometido mudança. Sou a bagunça que destoa com qualquer outro tom, que deseja o peito grande, os olhos fitados e as mãos vazias: meu melhor presente seria o amor, que escapa da minha saliva sem me dar tchau.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Casa da Diversão
Sentiu-me como uma bebida no embalo do sábado a noite.
Permaneceu naquela área olhando fixamente aos meus goles de vinho de uma
garrafa de plástico. Olhávamos um ao outro com a derradeira curtição, corri o
risco, afinal, o vinho acabara e meu corpo precisava dançar por toda aquela
pista pequena.
Trocou a área, mas o lugar ainda era o mesmo, ainda tive o
prazer de encontrá-lo com meus olhos baixos e com o sangue cheio de bebida alcoólica,
seguido de conversas a base de um guarda-chuva. Cheio de descobrir os beijos e anseios.
Por alguns devaneios, fui parar em sua casa, fumando do seu
cigarro, usando seu sofá, te usando inteiramente, como quem mata a sede no
corpo que atraca num cais do qual sempre teve o mesmo corpo, seguido do mesmo
gosto. Eram novos os gestos, simpáticas carícias, mas tudo era atolado de um
prazer, do qual me faria esquecer a ida e a bebida.
Alguns instantes de beijos, outros de provocações, alguns essenciais
para a nudez, e o restante para ser partido ao meio, para lambuzar-se por
inteiro, e fazer-se, como dois egoístas, bem a si mesmo. Comi, revirei, dei,
retribui.
Repetimos mais uma vez, numa outra data, num outro tom, no
mesmo conceito.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro
- Por que qualquer carinho te sobra tanto?
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Seu sobrenome é só Dorado?
Se alguma coisa te acontecer, serei o alvo da policia, partindo do critério do poeta que soletrou as palavras que um dia o amor mataria. Talvez seria o caos diante dos programas de televisão dois quais receberiam 67% de audiência. As leis seriam embaralhadas e jogadas nas mãos de Aristóteles ou Kant. E você, de onde quer que esteja, adoraria apreciar dois filosofos no debate extremo do meu julgamento. Mas acabou se esquecendo que eu acredito em Deus e que estaria pecando diante dEle, e aí de mim ser alvo, seja do tempo, do vento, de Deus. Mas adoraria ser teu alvo, como quando fui o alvo mais que perfeito quando jurava que era eu quem aparecia nos teus sonhos, como quando fui o alvo do primeiro e único beijo e depois o choro no banco do carro da frente. Mas, de todos os alvos que te fui, nunca quis ser o de partida que foi em um estacionamento qualquer, mesmo que assim, deseje ser o alvo da tua volta.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
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