sexta-feira, 24 de junho de 2011

Bordando cores no vento

Tenho a sorte de ser tumultuada por borboletas, que mais parecem papel voando no vento vestindo sua roupa arrumada pronta pra sair.
Admiro a inocencia no pé da dança que a noite convida, insiste e dança com seu par o último samba bordado de cor na capa do amor que a borboleta veste, feito manto, que a noite carrega calada, no barulho do som do vento.
Lento.
As borboletas que vivem no outro planeta, que passam aqui de passagem, apenas por gostar do samba do Rio de Janeiro, e da mulata sambando ao som do pandeiro.
Queria mesmo morar aqui, assim, não teria hora e sem demora pra voltar pra casa. Andaria vivida no vento, do tempo que molda as curvas desejadas de uma borboleta crescida virando o tempo da batida desconhecida, no barulho que só elas conhecem.
Falo das borboletas.
Descolo as asas que elas deixam aqui hoje de manhã, tumultuam minha vida, devem pensar que sou borboleta no tecer da manhã quanto desperto e canto. Quando sambo no par do vento.
Queria eu o vento de par.
Não me atrevo, bambeio e rodo sem parar, o vento as vezes me leva no seu soprar de halito doce, mas logo me perco por saber sambar e achar que estou só.
Queria ser como as borboletas, voar no tempo do vento, e pousar no recanto do canto teu.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Samba-te Vida

Samba-te vida,
não cai sozinha
leva a vizinha
que vive de agonia,
trás a lembrança
na ponta da esperança.
Gruda no teto,
no pé o chinelo,
no grito da ida,
na manhã florida
que nunca nasce sozinha.
Chega sentida,
arruma o riso
coloca o bonito
do lado de lá da rua.
Faz a mulher andar,
enquanto o velho da janela
polui o ar,
com os pensamentos dela.
Samba-te vida,
samba-te por si só
que já passa da hora
da morena dormir,
do canto sair,
de florecer o mar!
Não samba sozinha,
a vida tão sambista,
no ritmo da mulata da avenida...
quem samba então é ela,
nós dois,
assim seja.
Samba-te morena pela vida,
a vida que já não sambas mais.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Detalhes

Anteriores em qualquer sentido de detalhar a idéia que você me deu ontem de noite. Que bordava os tons do céu enquanto eu vivia na fantasia de esperar... mas sabia que no fundo eu corria mais na contra-mão da minha vida e só via carros na direção oposta da minha. Tinha quem não tinha tendo o que não queria mais ainda assim não largava, mas sabia o que eu lá no fundo tinha e sabia como arrumar a desorganização que eu fiz enquanto saia do trapézio e antes da queda. Meu pé ficou, e eu fui, muitas vezes vem acontecendo isso, as vezes revesa pé, e corpo, as vezes o pé que vai e o corpo que fica. Nem eu sei quando foi os dois, e se vão, andam juntos e logo querem caminhos próprios. Faltava tanta coisa, que minha mania de bagunçar ficava maior... mas sabia que no fundo não era só eu, era todas as que eu sou e fui, todas que mudei, que cresci, que envelheci, depois voltei ao tamanho pequeno, mesmo sempre tendo esse jeito de ser, na verdade a gente sabia que eu ainda era eu, e que você ainda era você. - a não ser duas vezes que me confundi com você e você se confundiu consigo mesmo depois veio a mim, assim, no carinho todo do samba de Chico. Entre todas e antes de mim no qual eu não entendia bem a vida de bordava, tecia, e formava alguma coisa que não sei explicar nos caminhos que dizias o certo mas nunca davam certo. - eu gostava tanto da implicancia tua de querer me levar, ou até da sua mãe me chamar de criança. Muitas vezes passava na contra-mão querendo imitar e me acompanhar, nunca ficou pra trás, quantas vezes eu te carreguei no colo mesmo sendo maior que eu, e todas as vezes que cansei de ir, e você voltava e me levantava, me arrumava, me deixava de pé, e tinha todo carisma de me ensinar a andar na voz rouca na rua vazia que existia eu, você, o céu de mar e a árvore que você quis colocar - lembro que achei que não ficaria boa, seria grande, mas você bateu o pé e me fez colocar, disse que podia servir de sombra, eu dizia que haveria sol, e que eu gostava de sol, então completou que queria sombra, e que amava me ver no sol. Deixei. Emprestei o doce na camisa que embrulhava o presente, e no fundo sabia que mesmo que não gosta iria guardar porque foi alguma coisa minha. Em raios muitas vezes a gente não se achava, mas sempre te dei lápis de cor e a gente arrumava o caminho, pintava mil borboletas vivas e me dava por segundos. Eu nunca obriguei, amava surpresas. No instante da falta a gente coloca nas linhas as saudades de cor azul de um gigante na terra do nunca feito de fantasias reais opostas das minhas que parecia que era eu. Até foi, por um tempo que não sei se durou tanto quanto existe a falta. Montei sozinha o resto, coloquei mais eu e coloquei mais você em algum canto da história absurda, ainda ouvia a guargalhada de longe no lamento da chuva que caia e eu só tinha a árvore que gostava tanto. Gostava por vim de ti, criada por quem me criou no mundo da fantasia, me jogou de ponta a ponta sem pés presos e dizendo que meu corpo pode guiar os pés na hora de pousar. Mesmo que assim o dia virasse noite. Eu me via sentada em cima da mala, no meio da rua em prantos, tentando achar a árvore, enquanto lá dentro o mundo caia e a tarde ia embora sozinha sem eu ver que a rua estava linda sozinha. Gostei do deserto e andei ela inteira, desenhei você e te carreguei no colo, você, a mala, eu e minha cara de choro, de fome, ou de lama. A mala pesava muito, até que tombei devagarinho e vi a árvore tão longe. Lembrei que deixamos ela mais longe - foi aquela vez que disse que não deixaria ali do lado do lago de sorrisos porque poderia molhar demais no inverno. Andei até ela, deixei a mala no caminho, você do meu colo, foi pro meu lado, te desenhei torto e pedi desculpas, desculpas, desculpas não desenhava, quem desenhava era você. Cai, outra vez, não em prantos, em saudades, ou nem em saudades, talvez em agonia, olhei pros lados e bateu um vento, seu desenho caiu. Eu e você caidos. Seu desenho não andava sozinho, eu tive que me levantar só, me arrumar só, colocar cores só, achar lápis só, e te levantar, te arrumar, te dar cores, e te achar um lápis. - só tinha um lápis, te dei o meu. Detalhei. Por fim te dobrei e guardei no bolso. Reparei que eu estava me carregando, e lembrei que você que me carregava não carregava mais. Olhei, gritei, parei e te guardei, não por não te querer do meu lado, mas por não poder te carregar sozinha.

domingo, 19 de junho de 2011

Sensação da falta de alguma coisa indispensável

COTIDIANO feito COM AÇUCAR, COM AFETO, SEM FANTASIA de juliana em olhos obliquos toda vez que escuta SAMBA DO GRANDE AMOR, tentando sambar mas argumentando: TÔ ME GUARDANDO PRA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR. Fazendo da vida uma verdadeira RODA VIVA, somando os EU TE AMO. Conhecendo LIGIA's, LOLA's, LEO's... LUIZA com z ou LUÍSA com s. A MOÇA DO SONHO sempre A MAIS BONITA. Entre MEIA VOLTA MENINOS, EU VI. MEU NAMORADO me largou, virei MORENA DOS OLHOS D'ÁGUA... Terminou falando que o AMANHÃ, NINGUÉM SABE! Sei lá, acho que NÃO SONHO MAIS. Fiz da minha vida de longe ANOS DOURADOS na vontade que me faz senhoura de idéias. Vi poetas de olhos obliquos, vi sorrisos brancos em barcos sem velas. Não posso falar em APESAR DE VOCÊ e continuar quando se fala em CHICO BUARQUE. Se fala em BUARQUE, eu fico sendo AQUELA MULHER.

Nota sem necessidade de um fã

sorriso cor verde,
suavidade no olhar de nuvens
gelo das mãos que nunca senti vendo
que esquenta
e esfria.
sorriso macio estampado nas palavras soletras pela boca,
música tua,
viciada no vicio meu.
pele clara
olhos escuros,
obliquos que nunca olhei...
vê-los, gruda-los, ama-los
vicio que não da licença a palavras,
tuas,
nem minhas.
posso chamar de violão nos braços do Rio de Janeiro,
até a cidade vista de cor ainda cinza
São Paulo.
Tens o nome de Camelo, Marcelo.

domingo, 12 de junho de 2011

Tempo do rei de vidro

o dom de escrever e deixar fugir, soltar o prumo e me deixar cair.
no gosto da chuva, doce choro,
no alarme das notas azuis marcadas na pele fria.
aquele porta-retrato da distância de soprar os segundos que tudo abandona...
quero,
uma avenida de cores que não apagam,
de sambas que não terminam,
de doce chamativos e representáveis.
espero clarear quente,
sutilmente sutil,
cansei de passar frio.
recarregar a rosa frouxa, murcha, farta, morta de cansaso.
tenho o pulmão dos fumantes,
o coração partido dos amanates,
as letras dos compositores,
e a sede de paixão com borboletas na boca do estomago.
o rito errado do mito ao-contrario da contradição,
nunca vi o que nunca ouvi falar.
selo que nada mais gruda no passar da vida, quando se olha dentro das casas
o tempo inimigo do sol que não mais ilumina a lua, que em glória fica muda
esperando os aplausos das estrelas também sem luz
famintas de sede no deserto do peito rasgado com um grito.
na falta de bateria nas horas calmas de esquecimento mal sucedido!
recolhi as cartas pela casa varrida de luz,
tombada de vento
e amordaçada de pavor da falta de cuidado.
laço que descuidado vira nó, que dá dó dessa perca na falta de espaço do tempo.
que tempo mais falado com desculpas esfarrapadas na hora que precisa de espadas!
suicida de loucuras das quais perdi no vento,
que rodou perto de mim enquanto lhe passei a perna fina.
pena nada vermelha com cores que não existem!
minhocas que as aves desejam, mas não está em época,
vive-se de água em barris estampados de flor
que são vindas do beija-flor que veio no quintal enquanto o cachorro de sua casa latia.
poderia assim um beija flor roubar a flor do jardim inédito do tempo atrasado no atraso da vida?
olha quem fica,
e vê-se bem quem leva.
a moldura sumiu,
serve pra outro alguém na distancia das cobertas aos alérgicos.
seja assim, sempre no despertar da manhã colada com a noite
no céu,
quem vê daqui, sente assim, da-li.

domingo, 5 de junho de 2011

Veja bem Meu bem...

linhas tortas bordadas por vagalumes, eu escrevo.
me perco. atravesso o teu futuro sem te avisar. entro e saiu de soslaio quando se fala em seu sobrenome.
por linhas tortas eu escrevo.
veja bem, meu bem, eu acho que ainda tô guargada ai e não sei, sabe onde minhas maluquices me levam, e me deixam. ando fazendo das lembranças um lugar seguro - acho que nunca fechei o baú - lamento... e junto as desculpas.
navegando eu vou sem par.
mas a situação deixa o coração nesse leva e trás, esconde as armadilhas atrás da guargalhada.
arrumei alguém chamado saudade, que não cabe direito no peito. joga de lá e de cá e quem sabe fica ou vai...
escrevos pelos vagalumes.
chupar o sumo do que eu for sentir, perder o prumo e me deixar cair, levar a dança até você sorrir e se você matar minha fome no seu sorriso que me faz morrer, eu digo baixinho que tudo é você.
como quem ama o Rio mas tem São Paulo como seu lugar eu fico - desse jeito aprendo o que é preguiça de se aborrecer - quem sabe, a gente leva e lava.
rodar enquanto o mundo roda, sambar na roda de viola cantada por você que não gosta do meu samba!
de sapato vermelho a gente vai, abre a avenida de doces e revira o lago dos sorrisos do decifra-me ou te devoro.
a gente fica sem partida na minha fantasia que cabe nós dois!
veja bem, meu bem é só isso a gente escolhe o eterno ou o não dá e fica com os vagalumes na vaga memória que vivemos.
na bagunça do mundo que moramos, pode ser a eternidade e a gente nem questionou o tempo ainda!
pirilampos pra salvar, e como salvam.
mas se tivesse ficado teria sido diferente?
se eu pudesse te mostrar meu baú, talvez a gente se achasse em algumas páginas em branco de tantas palavras de gente grande que eu sempre apago - quero aprender a não dizer mais nada.
só olhar o mundo como quem me ama e dizer que me ama até morrer.