Tenho a sorte de ser tumultuada por borboletas, que mais parecem papel voando no vento vestindo sua roupa arrumada pronta pra sair.
Admiro a inocencia no pé da dança que a noite convida, insiste e dança com seu par o último samba bordado de cor na capa do amor que a borboleta veste, feito manto, que a noite carrega calada, no barulho do som do vento.
Lento.
As borboletas que vivem no outro planeta, que passam aqui de passagem, apenas por gostar do samba do Rio de Janeiro, e da mulata sambando ao som do pandeiro.
Queria mesmo morar aqui, assim, não teria hora e sem demora pra voltar pra casa. Andaria vivida no vento, do tempo que molda as curvas desejadas de uma borboleta crescida virando o tempo da batida desconhecida, no barulho que só elas conhecem.
Falo das borboletas.
Descolo as asas que elas deixam aqui hoje de manhã, tumultuam minha vida, devem pensar que sou borboleta no tecer da manhã quanto desperto e canto. Quando sambo no par do vento.
Queria eu o vento de par.
Não me atrevo, bambeio e rodo sem parar, o vento as vezes me leva no seu soprar de halito doce, mas logo me perco por saber sambar e achar que estou só.
Queria ser como as borboletas, voar no tempo do vento, e pousar no recanto do canto teu.