Afogo-me no inesperado grito assustado da noite. Meus olhos afundam-se na aurora e meu corpo perde-se nas horas. Raramente o relógio está no meu pulso, que a pulsar vai em desalinho com meu compasso que nunca ritimado aguça meu riso desmarcado.
Pelas ruas da chuva, nas poças onde de meus pés saem rosas acompanhadas de espinhos. Toda cautela em cuidar da flor descabelada que se protege com espinhos mais frágeis que a unha da idosa que a olha. Não adiantaria salvar-se. Os meios seriam inúteis e continuara a mesma.
Aí de mim, olhar-me por dentro num rodeio desses de melancolia em noite serena, em domingo vazio, em tédio completo pra minh'alma deserta. Me vi num barril, desses vazios, onde nem as uvas tomariam conta dos vinhos bons do sertão.
O caminho alucinado parece-me desorientado pela procura imprópria. O rosto visto em traços, marca menos a alma, já que a calma já tomara por veneno, no gosto de morrer seco. Por onde andara o que deixara de esquecer. Parecia um poço, desses que tudo tem, e que faz eco quando alguém vem.
Tudo parece vazio quando cheio, e se cheio a vista parece vazio, quem haverá de preencher se eu por amores morrer?
domingo, 22 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Cavalo
Onde a bota machuca-me a carne.
Por onde me montam
me viram
me usam.
No desgaste das minhas pernas
quase que me largam
sem sentimento algum.
Me prendem por rodeios
e ainda me dão a ilusória liberdade.
Minh'alma veio pra voar nas terras,
correr por entre os matos
e dormir mais tarde.
Mas hoje se não me colocam a sela,
vão me criando
maltratando
e matando.
E o pior é que não sei fugir do meu dono
e nem ele de mim.
Por onde me montam
me viram
me usam.
No desgaste das minhas pernas
quase que me largam
sem sentimento algum.
Me prendem por rodeios
e ainda me dão a ilusória liberdade.
Minh'alma veio pra voar nas terras,
correr por entre os matos
e dormir mais tarde.
Mas hoje se não me colocam a sela,
vão me criando
maltratando
e matando.
E o pior é que não sei fugir do meu dono
e nem ele de mim.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Sala de Aula
Tu se foi e ela deixara pra me ver.
Morena me olhava,
me fitava
e se enjuriava no meu riso alto
que espantava meu choro da tua ida.
Parecia que ela sabia bem quem eu era
e parecia que tu e ela não era mais...
Os olhos dela me afundavam
borbulhavam
e arrotavam
as dores de me ver.
E ali, eu via a dor dela,
dentro da dor tua
que escorria pra mim.
Morena me olhava,
me fitava
e se enjuriava no meu riso alto
que espantava meu choro da tua ida.
Parecia que ela sabia bem quem eu era
e parecia que tu e ela não era mais...
Os olhos dela me afundavam
borbulhavam
e arrotavam
as dores de me ver.
E ali, eu via a dor dela,
dentro da dor tua
que escorria pra mim.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A mim mesma
Me diz por onde as estrelas brilham se o que brilha nelas é a morte? Por onde as marcas dos meus desenganos foram, e a mim deixaram, para o gosto amargo desse fel que bebo, arruínada e presa a ferro. A frio, a carne viva escreve o nome, que não está escrito em tinta na pele, mas cravado na alma como a dor de quem dá a luz. Alimenta-se. Assim como aos céus, a morte é lúcida. Da mesma forma que a dor também é lúcida e do mesmo jeito que o amor também tem um brilho, e o brilho permanece depois da morte do peito. Segue-se o ciclo. Segue-se o segredo desvendado. Sofre-se com segredo ou sem segredo. Visto ou não visto. Ocorre que, por onde as estrelas brilham, o céu não ofusca teu brilho, mesmo que, depois da morte. Afinal, a idéia da morte é a vida e a idéia da rima é a melodia. Meus receios atuam num congá de teatro cheio, na peça da qual não quero mais fazer parte, porém, eu já fiz todo elenco, sei de cór e saltiado toda a fala, até faria legenda. Sou o quebra-galho do destino que não me perdoa por abandonar teu caminho e me aliar ao teu maior inimigo, que é tão bem conhecido por 'acaso'. Não apego nem a um, muito menos ao outro. O que me pega é a consequência de um ato subito de amor. Me desfaz a forma como o respirar chama teu nome para os meus pulmões e me assola na inquietude da solidão. Pensamento inativo. Ouvia-se que só era triste quem seguia a própria dor. A morte se subjulga feia, a ponto de se vestir em luto por si mesma. Vezes pensei de que a doçura de um encanto te levaria ao paraíso indiscreto das flores que mostrariam tua beleza e seus canibalismos. Toda resposta não me serve, nada me serve quando me procuro. Quando me encontro perdida certamente não me encontro, e tudo que há por mim, me parece e assim me destrói.
Só quem sente a dor, está realmente disposto ao amor.
Só quem sente a dor, está realmente disposto ao amor.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Queria ver tua pele
Embaralhar minha saia longa,
cultivar as coxas das quais se escondem do vento
pra ter calor dos teus beijos.
Minha carne; Tua fisiologia.
O mesmo desejo de quando te toco,
que percorre minha pele a sal
mostra o reflexo do que tu ilumina.
A sombra não vês,
meu nome tu sabes
e o desejo exala.
Beija-o para sentir
entrega-te para receber.
Ao ouvido com a luxúria ao pé da cama,
cultivar as coxas das quais se escondem do vento
pra ter calor dos teus beijos.
Minha carne; Tua fisiologia.
O mesmo desejo de quando te toco,
que percorre minha pele a sal
mostra o reflexo do que tu ilumina.
A sombra não vês,
meu nome tu sabes
e o desejo exala.
Beija-o para sentir
entrega-te para receber.
Ao ouvido com a luxúria ao pé da cama,
o julgar está lá fora e não sabe que estamos aqui dentro.
Num movimento sacana meu corpo embala o teu,
pra que minha carne coma a sua inteira, e arrote-a depois.
Assim a alma em apse são
sente a poesia exilar meu corpo
saciado pelo teu.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Quintal
Tudo o que sobra vai pro quintal.
A pá sem vassoura,
o rodo sem cabo
e o pé descalço.
O piso sem cor
o cimento sem odor
e a areia do gato.
Vai também pro ralo
a gordura da panela
a bicicleta sem pneu
e a comida que ninguém comeu.
No quintal vivia eu,
pulando o cabo do rodo,
com chinelo sem par,
de branca virava preta
e nem pensava em ter alguém pra amar.
Tudo o que sobra vai pro quintal da alma,
até a marca da calma
que um dia haverá de voltar.
A pá sem vassoura,
o rodo sem cabo
e o pé descalço.
O piso sem cor
o cimento sem odor
e a areia do gato.
Vai também pro ralo
a gordura da panela
a bicicleta sem pneu
e a comida que ninguém comeu.
No quintal vivia eu,
pulando o cabo do rodo,
com chinelo sem par,
de branca virava preta
e nem pensava em ter alguém pra amar.
Tudo o que sobra vai pro quintal da alma,
até a marca da calma
que um dia haverá de voltar.
domingo, 1 de abril de 2012
Nota II
Por horas a gente até acredita, mas não fala, eu me soaria como se, a preocupação fosse só minha. Olha cá nos meus olhos mansos, olha bem magrelo. Eu sei teu erro, teu defeito, teu olhar, tua presença exposta aos céus. Nada calculável para meus lábios, mas nada diferente da minh'alma. E se fosse só a química até que meus seios seriam suficiente nas tuas mãos. Mas tu cai, e não cai por falta de aviso, cai por gosto teu. Mas levanta, levanta, levante-se. Eu não posso jurar-te que não acontecerá novamente, mas eu me farei presente, pra que tua alma, não tenha só a luxúria da minha carne, mas que tenha a bondade do meu ser.
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