Tudo o que sobra vai pro quintal.
A pá sem vassoura,
o rodo sem cabo
e o pé descalço.
O piso sem cor
o cimento sem odor
e a areia do gato.
Vai também pro ralo
a gordura da panela
a bicicleta sem pneu
e a comida que ninguém comeu.
No quintal vivia eu,
pulando o cabo do rodo,
com chinelo sem par,
de branca virava preta
e nem pensava em ter alguém pra amar.
Tudo o que sobra vai pro quintal da alma,
até a marca da calma
que um dia haverá de voltar.