Me diz por onde as estrelas brilham se o que brilha nelas é a morte? Por onde as marcas dos meus desenganos foram, e a mim deixaram, para o gosto amargo desse fel que bebo, arruínada e presa a ferro. A frio, a carne viva escreve o nome, que não está escrito em tinta na pele, mas cravado na alma como a dor de quem dá a luz. Alimenta-se. Assim como aos céus, a morte é lúcida. Da mesma forma que a dor também é lúcida e do mesmo jeito que o amor também tem um brilho, e o brilho permanece depois da morte do peito. Segue-se o ciclo. Segue-se o segredo desvendado. Sofre-se com segredo ou sem segredo. Visto ou não visto. Ocorre que, por onde as estrelas brilham, o céu não ofusca teu brilho, mesmo que, depois da morte. Afinal, a idéia da morte é a vida e a idéia da rima é a melodia. Meus receios atuam num congá de teatro cheio, na peça da qual não quero mais fazer parte, porém, eu já fiz todo elenco, sei de cór e saltiado toda a fala, até faria legenda. Sou o quebra-galho do destino que não me perdoa por abandonar teu caminho e me aliar ao teu maior inimigo, que é tão bem conhecido por 'acaso'. Não apego nem a um, muito menos ao outro. O que me pega é a consequência de um ato subito de amor. Me desfaz a forma como o respirar chama teu nome para os meus pulmões e me assola na inquietude da solidão. Pensamento inativo. Ouvia-se que só era triste quem seguia a própria dor. A morte se subjulga feia, a ponto de se vestir em luto por si mesma. Vezes pensei de que a doçura de um encanto te levaria ao paraíso indiscreto das flores que mostrariam tua beleza e seus canibalismos. Toda resposta não me serve, nada me serve quando me procuro. Quando me encontro perdida certamente não me encontro, e tudo que há por mim, me parece e assim me destrói.
Só quem sente a dor, está realmente disposto ao amor.