sexta-feira, 29 de junho de 2012


Deus

Folêgo,
que em ver meus olhos
na vazante da minh'alma
chora.
Em dedos pintados por unhas ruídas
antes que,
me tolere carnalmente
me vestiu da armadura que o Espiríto
me deu.
Calei-me por ouvir.
Quanto
que no tranco funcionei,
que na lembrança do meu eu
via as Tuas mãos
sobre o chão
que hei de pisar.
Me concede esta dança?
Que por herença
deixarei aos meus filhos
até a trigésima geração.
Me sucede tua boca
para que meus ouvidos
sejam guiados pelo Teu tom.
Guiai-me por sobre meu pranto
que de recanto não era teu
e hoje
te forneceu
frutos dignos de arrependimento.
Se meu coração pôr roupas
em vergonha,
as tire sutilmente,
pois só tu
sabe
varrer minh'alma
só.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Velho babão com barquinhos de papel na mão

Suas mãos não parecem suas,
mas teu rosto é o meu semblante; foi-se.
- Não esquecerei, mesmo os que afundou, eu vi nascer.
E viu morrer, e a mim me viu
e reviu.
Barcos de diamente afundam
e os de papel demoram pra se desfazer.
Tanto mar, tanto mar,
é preciso navegar.

A história que fomos
e no peito o que restou das melodias do nosso Chico,
o que era uma,
hoje é outra,
então eram duas?
- Aí rosa, tanto em tão pouco, tempo.
Mas pra que tempo
se a gente era a gente
e fomos nossos
nem que por instantes doados?
- É rosa esses barcos navegam em mim, não adianta bombardear.

Eu sou o que a burguesia teme
e você é o leme
pra fazer o barco, navegar.
- É la estão, mais o motor de cada um esta comigo.
Está, apenas, contigo
meu velho babão com barquinhos de papel na mão.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Poesi-a-goniza

Pra que
se a chuva ainda é a desculpa de ver-me.
Onde o que poderia, era
perder-me,
do desaparecer,
pois depois
recomeço.
Pra que
se a chuva ainda é forte e branda na nossa casa?
Como se a Lua não tivesse a sair
e num empurrão,
foi-se
descabelada a encontrar o céu em chuva.
Pra que
se a chuva ainda atrapalha a nós.
Se a chuva, deveria molhar o que em ti
ainda é seco.
Ainda anda seco?
Ainda na melodia que molharia
teus olhos e não teu peito?
Me negas?
Pra que
se a chuva ainda é que me lembra a ti
é ela a quem me tira teu folego?
Não.
Eis que não quero querer a chuva,
mas quando haverá de passar da minha mente
que em ti só chovia a mim?
Pra que
se a chuva ainda cai na vazante.
Eu que a na espera agonizo,
agonizo
no riso despercebido
de querer pra mim,
um tanto dessa chuva
pra ver se um dia eu temer em não querer-te
assim,
faze-la cair.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fotografia

E eu que casaria com o cara da fotografia?
Até se a foto fosse meia distorcida,
até se pra mim ele não cantar nenhuma melodia.
Mesmo se a barba ficar branca,
mesmo se tua voz for branda.
Eu me casaria
com o moço de retrato
que poderia me ser um laço
até o fim da vida.
Ai, se casaria!
Casaria até na chuva.
Que coisa seria
eu e ele na padaria,
pra comprar nosso café da manhã.
Ah, se fosse possivel,
me tornaria até invisivel
pra todas as outras cantadas.
Como queria esse moço da fotografia!
Ele parece comigo
mas é tão meu amigo
que temeria
um apse nessa nossa calmaria.
Mas eu até que casaria,
assim sem essa linharia fina.
Mas não falo,
me calo
e me desfaço,
ao ver essa tal fotografia.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cabelos no rosto

A barba que veste a cara.
A barba que reveste a alma.
Que protege a face
e esconde a boca
prometida para a prometida.
Que veste bem o rosto do homem,
na maturidade
que esbanja com responsábilidade.
Por vezes é só a beleza
que ela tem
que veste,
que atraí e destraí qualquer mulher.
Que arrisca um arrepio sobre os ombros
assim, ganhando devagar o que não é teu.
E quão belo é a face
se não a de um homem?
Prefiro a face coberta
e a boca escondida do prometido
que eu me comprometa a achá-lo.

AL-MA

E então, 
meu lamento sucumbiu as comportas donde guardo as águas do choro. 
Por onde, 
quase que na vazante, 
caí. 
Para que no fim, 
meu coração se entregasse ao ramo de flores mais lindo, 
e pro manjar mais bem feito. 
 Mas meus olhos se abrem para as armadilhas dilatas do dia, 
que com o tamanho da chuva, 
anda parecendo noite. 
Com meus ossos quentes, 
eu procuro mais que um refugio, 
e entre mim, 
está, permanece.
Tão reluzente quando um raio, 
mas tão doce quanto a chuva das minhas lágrimas nos meus lábios. 
São frutos dignos do meu arrependimento verdadeiro. 
São frutos do que eu era, 
e trazem a renovação do que hei de ficar em mim.
Para que na L-U-Z eu seja
e que a trevas me veja
e fuja de mim.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Opções

Se por entre meus fios de cabelo
passam milhares de esperanças curtas e longas.
Por onde eu vim
com o caminho ao redor de pavor.
As lágrimas ocorrem no decorrer da vida
e o folêgo no decorrer da morte.
Cada passo além mostra o adiante,
cada idéia de futuro, mostra que o passado não existe.
Se a guerra de mim mesma, para mim mesma.
Por onde meus braços doem,
por onde andam meus sonhos
que se destroem
e de tão secos, viram inverno.
Tão bonito quanto o céu
mas sem poder tê-lo agora.
Se escrita sou
que seja por amor
Porque para a alma faminta,
todo amargo é doce.

Perdoem-me

Por vezes,
acho que minha poesia se perdeu
e está em instante de se achar.
Porém acabo com receio de escreve-la.
Agora jorra de mim apenas amor pelo folego do Criador,
e meu perdão me faz tão leve,
a ponto de não saber se ainda sei escrever como era a dor de não tê-lo.