terça-feira, 26 de junho de 2012

Velho babão com barquinhos de papel na mão

Suas mãos não parecem suas,
mas teu rosto é o meu semblante; foi-se.
- Não esquecerei, mesmo os que afundou, eu vi nascer.
E viu morrer, e a mim me viu
e reviu.
Barcos de diamente afundam
e os de papel demoram pra se desfazer.
Tanto mar, tanto mar,
é preciso navegar.

A história que fomos
e no peito o que restou das melodias do nosso Chico,
o que era uma,
hoje é outra,
então eram duas?
- Aí rosa, tanto em tão pouco, tempo.
Mas pra que tempo
se a gente era a gente
e fomos nossos
nem que por instantes doados?
- É rosa esses barcos navegam em mim, não adianta bombardear.

Eu sou o que a burguesia teme
e você é o leme
pra fazer o barco, navegar.
- É la estão, mais o motor de cada um esta comigo.
Está, apenas, contigo
meu velho babão com barquinhos de papel na mão.