quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Degusta - Me

A origem do meu próprio ser atravessa as ruas de um centro
donde sua alma se perde entre os lábios
pintados de vermelho ao sol.
Batendo de porta
trancando a janela
cheio de travas ao acesso meu,
ao acesso dessa tua marca no rosto que cobre-me de desespero.
Atracando teus olhos como quem invade o congá
onde espalha as folhas secas que nunca deixares entrar
ainda querendo dormir
não sabe da minha poesia que longe de um ladrão
quem rouba é o tom da sua voz.
A melodia não atrapalha meus ouvidos ao curso que teu som faz
redondeia minha perna que de agonia treme,
afunda feito areia molhada em terra quente.
Confunde as notas do teu próprio nome,
sem que descubra onde tua porta bate
e onde teu quarto se fecha.
Abala a estrutura inteira as avessas
como uma árvore oca mais cheia de fruto,
deixa eu parecer bem no fundo dos teus lábios
onde afundo meu gosto e faço um nó.
Se tiver que ser na bala, vai.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Hermanos

Nome daria ao acaso que transpassa os olhos,
organiza a festa entre a fala seca
que na nota aguda assusta e encolhe-se
pertence com esse temperamento desde que
a casa fique pré fabricada.
Dizem a quem conhece o jeito,
eu vejo o jeito na arte-manha desse leão
que soa em trombones com ataques
tão Anti-fascista quanto as tuas próprias mãos.
Nasce ao léo teu vento
que num relento de ser só
apega-se nas tuas desculpas,
vive nas tuas memórias
e quase se lacra num baú.
Amedronta minh'alma num desapego
que se largo nas mãos
vira tão perfeito em folhas secas.
Quem conta teu mar,
que afunda os pés
quanto numa avenida larga
grande
sem que notem tua voz calada ao céu.
Atropela o mundo
ataca o teu eu
afunda junto ao meu
que robou.

Claves

No rosto da outrora a manhã desbotada
enrola a descida da rua
perto de alguma linha pendurada na rua
ou cortada pelas paredes.
Ataduras prendem teus carros num vermelho
a catedral parece história encubida do povo
que toca-se o sino
sem que a hora conte os passos dum homem.
Na vida anterior
as pessoas minusculas trazem um algodão
esquecem de guardar os pedaços da alma que viram
ao passarem rasgando os céus.
Atordoado foi-se junto ao léo do alcool
a farsa espalha o veneno sobre a terra
donde nascem as mesmas manhãs.
O sol é amargo
teus olhos fundos feito um breu
que minha vontade desperta
até na manhã que a ti escondeu.

sábado, 26 de novembro de 2011

Tormento Parcial

Durante os prantos
vindos do humano que festeja o fel
e padece de um canto
que endurece o mel.
Afunda-se na derradeira dor de amar
como anuncia-se na partida do seu esqueleto
a dor de um soneto
que sem borda molda a história num rezar.
A prece pode enganar teus olhos
e indagar tuas mãos secas ao sol,
pode molhar teus olhos
e afinar tua voz.
Teu lado direito funciona fora das funções,
aprecia o vento, que desce nas costas
e feito um furacão atravessa o peito.
Leva-te nas letras dum lábio transcrito
encara tua voz marruda frente a janela do medo
na porta da alma
que fechada se tranca.
Sem paz,
sem prece,
sem reza,
sem santo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

5:30

Pausadamente desperto
com a neblina que o rastro da noite manipula
sobre meu manto quente
olhando nos meus olhos de perto.
Espanto
onde em pranto
vai o meu amor
ficar tão só.
Arruíno o sol
e temo a escuridão,
trago meus lábios
até as letras.
Quanto mais chega-se
amedronto minh'alma
que esqueço de avisar a ela a tua vida
longe da minha.
Que é que meu soloço pergunta
donde vem essa luta?
Pronde vai teus abraços mansos calados num sussuro
sucumbia minha perna
derrota a anedota de pulsa aos olhos.
E na minha história a gente era obrigado a ser feliz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

13

Três capitulos para rotular nas frases
o tempo que se atraí ao povo que em gemidos diz
a parabula dum rei.
Ameaça a mim teus olhos fartos de Camões,
abaçaiado chorou no canto das lágrimas
nas lamentações de Marias
que longe de senhoras,
varrem as ruas, das tais almas perdidas.
Escuta-se o ruído da noite
o medo da voz que calada, tão falante.
Nas letras teus lábios escrevem os meus,
nessas mãos carregam a raiva em laços,
nos olhos fita a minh'alma que assombra
e assopra o que arde.
Vento leva a ventania dos músculos de nós dois na cama,
complico.
Uso-te junto a mim,
só pra ter esse gosto
de usar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Pares

Dois riachos no obscuro da fenda
onde suporta a tentação e a prenda.
Penetra no fundo meus dedos que raspam teu cabelo,
um pedaço de cada vez.
Os olhos vidram,
reviram,
tranpassam,
e caem no buraco do abismo preto
que ao abrir esses olhos aumenta fenda de te ver.
Teus braços eram meus.
Via a relva que nascia em frente a cabana onde fecharia tua vida,
mais uma vez,
onde teus pares esconderiam teus azares.
Falavas em tom solene,
que traia minha atenção no teu sopro
que levava meu ciume na tua boca
que solava o vento.
O teu azul,
meu mar vermelho.
Afunda.
Então vem navega em mim.

sábado, 19 de novembro de 2011

Madrugada

Num silêncio da tempestade
donde o mar se junta com a relva,
o que alimenta o pavor da cura.
Vens tão ao silêncio quanto um dia de chuva.
Acalma o céu,
abala a cidade em cheia.
Não sei se falo mesmo de ti,
se atravesso a pressa
ou se a pressa me atravessa.
Compõe teus olhos
que lê aos meus,
me acorda ao som
de um dia raro de asfalto.
Quem é você?
De onde vem teu jeito
que desvira meu alento
e me entorta tão frágil ao teu eu?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Em nota o teu Poulain

Grafite.
Entrelaço meus olhos
entre as duas buchechas levadas de leve ao rosto.
Carrega-se aos arrastos
das histórias que conta,
e que com os fiapos,
amedronta.
Olha sem pressa
a pressa que a hora passa,
aproveita a cadeira
ocupa o espaço.
Desfaz o laço
e coça a cabeça.
Atrapalha a fala,
não encara de cara
mas fala com a marra
de um malandro.
O fogo de palha exita,
é de queimar os dedos
e expor os defeitos
que a brisa carrega.
Tudo flui,
sem pressa.
A letra escreve
a rapidez ou a solidão,
o coração que arranha
e a vida que apanha
nesse penar de começar a tradução.
Do infinitivo,
passa-te
ao labirinto
onde ousa beijar os lábios da chuva.
Da calmaria a direita,
foi-se
até a tempestade da esquerda.
Donde fica,
lamenta
e vê,
que o meu samba
pode até chamar a atenção dos teus pés.
O título escapa do teu nome,
eu te nomeio entre tantas letras,
que ainda se monto as palavras por inteiras
vejo, tão só,
que a falta
fica.
Lamento minha falta de flores,
e tão cheia de dores vou manerando.
Desse jeito,
esse mal jeito,
o jeito torto de querer um jeito teu.
Arrisco.
Não mordo,
faço barulho no sapatiado
do meu pé a caminho dum outro labirinto.
Agora,
no jeito,
o teu.
O teu nome,
a tua velharia que hoje o tempo alimenta,
e comenta logo de manhã.
Sou a ultima,
o ditado ainda diz.
Porém espero ver você,
rir melhor,
a nós?

sábado, 5 de novembro de 2011

4 Acordes dUm Apocalipse

Diante do morumento a cidade grita,
abala-se nos olhos que as crenças se confundem.
Os orixás do asfalto atropelam os carros com suas businas,
o som de fundo é de calmaria as almas.
Cheiro de insenso funde
com a poluição das pessoas que correm.
Aqui, elas sempre correm.
De pé penso em sentar,
estou só até na sombra,
porém tão cheia de sol que invadem os cantos que ninguém cabe.
Pensei em desaparecer daqui, ou seguir quem apareceu,
carrego os passos e arrumo a saia.
Vou atrás de um ser sem nome,
donde se fundem pessoas que entrelaçam o caminho.
Perco-o de vista,
odeio faróis.
Achei!
A metros longe.
Mas por que vim mesmo pra cá?
Algum lado chamava os passos que via
que vinha por detrás da minha sombra.
Numa casa comunitária que vive num vão
donde o zelador falava em inglês
e solava tua vista com óculos de grande armação.
Escorrega-se.
Nessas horas chamo-me a boca de lobo,
em meio ao pescador de ilusões, vale a pena
o que não vale?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Anonimato Constante

Humanitarismo em doses.
A matéria que se antecede
talha o resto do depois.
Pontilha a patrulha guardiã das supernovas
que em colisão de dois corpos celestes
equilibram-se entre suas peles.
A matéria que os consebem é um ponto de dúvida
para ciência que estuda casos especificamentes explicados
e mencionados em relatórios.
Diferente deste.
Nada a antecede feito o momento presente,
alucina-se  em arrepios descontrolados duma armação retangular de óculos.
Explodem-se,
implodem-se,
imploram-se
por quatro miseros acordes
solados na pele
de um apocalipse contornado
de vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Corpesia Que Eu Inventei

A garganta é o espaço fino que invade a alma no caminho do peito. Dizem que a água cai na vazante do estomâgo, porém ao caminho da vertebra mãe esse espaço fino desagua em lavar onde, pela ciência racional, o liquido fino não chega. Raspa o osso no caminho, dizem da alma por ser tão sofrida, e doem os dentes na sensibilidade de deseja-la. O sub-solo de um corpo nem sempre é feito de ossos que quebram em quedas possiveis em terra. Os ossos quebram no ranger da noite fria.

Frio psicológicamente correto de admitir-se ao vento. Os cabelos soltos são feitos de que feitiço que carrega meu DNA? A praticidade do tempo grita ao ser humano que corre teus caminhos exatos na hora. Metáforas. Belas metáforas onde o cerebro quebra-se em rompimento com os músculos que parecem frangos de padaria num espeto. Giram, e sempre tem algum cachorro por assistir, querendo comer o cheiro que tem e a carne dourada que vê. Parece até ouro.

A barriga que guarda os orgãos não funciona mais em alguns sentidos. O corpo fica fraco ao lento véu que cobre o céu em brilho de Lua ao léo no espaço físico. A barriga liga a parte vazia, entre a coluna e a bacia. A mesma carrega a vida e estampa ao mundo a gravidez que a antecede. Carrega no ventre um dos pontos lunáticos que as estrelas gritam no olho desconhecido do amante. Quem mata ali, morre. Carrega tantos vazos sanguineos no corpo, que até o mosquito no verão quer ter pra crescer igual. Até no minino tamanho nasce a inveja da dor. Inveja da dor?

Se os ossos invejam a alma, que é pronde a água que se bebe vai, por que os mosquitos não podem bebe-la? Funda ao visto humano ou animal em bichos? Tanto mistério pro fim em poeira que se faz giz, como escreve o passado que o tempo não se apega, porém se apaga. Os ossos doem a cada dia que passo por abaixar erradamente esse meu corpo pesado e pequeno. Peito se fecha e se abre feito a porta que gemia ao colocarem a mão no trinco. Gemia minha mão aos ossos que gritam pelo estalo que a casa faz e reflete nos meus dedos cansados da limpeza que vez ou outra deve vir. Ossos gritam por limpeza também. Assim, a coluna grita por estar reta e alta pra voar. Assim os pés criam raizes e giram com o planeta grudado no chão. A gravidade puxa os ossos e atraí os mal-feitores em canticos de ópera.

Até que a parede do seu estomago estora em grandesa e anseia que mal traduz o que o cerebro tenta mandar em sinais de movimento pro resto do corpo. Um corpo tão quebravel quanto a alma. Um corpo com tanto ciume de sua levada água a alma. Mal sabes esse corpo que quebra, que a inveja vem da própria alma que o fez e o cerca.

Vezes a poesia vem colada com o físico do corpo humano, dificil de tranceder os olhos que vê e das mãos que sente. A alma deve sentir o prazer do corpo que habita e não as dores de quem dele evita.