quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ashtoffen

Traduz esses teus olhos.
Enquanto acontece que o dia se esvai.
Traduz esse teu manto.
Enquanto vem de curandeio curioso
puxando o barco pelo mastro da poesia.
Vives num congá,
donde o mais certo é um sofá
que quiçá você deita e encontra o céu.
Se a porta fecha, bate o vento
bate o vento nas letras escritas por detrás das minhas costas,
parece em giz.
Juras que a boca cala,
mas,
traduz esses olhos.
Aumenta o tom da vitrola
donde o samba nasce
entre os quadros tortos que bordam a parede.
Não compara.
Reparo,
que teus dedos a unha cresce,
na pia não cabe mais prato,
nesse ato desorganizado de reparar.
Falas.
Falavas.
Em água.
Traduz esses olhos cheios d'água?
Encarava meus olhos,
devorava minhas mãos.
Encara poeta navegante.
Ai de mim!
Espero,
anseio
por esses olhos
que tanto vi.