quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Amor de cantiga

Dói.
Descreve-se a entrada triunfal de peito aberto,
logo faltara ar, e caira no chão.
Cautelosamente a rainha te levantaria e cuidaria de arrumar um lenço para as lágrimas
que não passaram dos olhos.
Como plebeia meu lugar é na platéia,
na platéia do choro sucumbido de agonia,
faço parte de onde as mãos soam frio e o corpo desmancha a mancha que teu toque fez.
Aterrorizante me coloquei no meu duro lugar.
A sala era vazia, se lotada, eu não via ninguém a não ser o rei acompanhado de sua rainha,
o moço vestido de azul sem aliança,
e a mim.
Alguns olhos raspavam;
o rei me filmava, me fitava, agonizava e sorria. Eu cautelosamente respondia seu disfarce.
Minh'alma agonizava,
meu grito era mudo,
meu lábio era seco.
Dá-me de beber.
Faz-me como platéia, mas se mantenha sentada nela, como um ano atrás.
Fale do mal hálito do povo e eu te darei uma bala.
Traga-me as acrobacias, as dividas
os sonhos de menino.
Plebeias preferem amar os bichos;
tua arrogância te fez um.
Ó meu rei, olha meus olhos sofridos
e minhas mãos quebradas! Olha o que fizestes depois
de partires com meu amor puro,
com a minha cantiga de amor!
Me olha fundo e me diz que eu não sou nada que você ame,
flagele-me
e que se dane.
No seu sonho, eu tenho culpa.