segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Paletó

Me deixem nas mãos dos homens.
Como se já fossemos amantes,
perdendo meu tempo em ser mulher nas dores do meu corpo.
Perdendo meu corpo nas mãos firmes e na boca calada de palavras.
A voz da alma negra,
as dores nas pernas.
Meus cabelos curtos visam o par
vagabundo como deve ser.
A violência dos olhos que arrancam meu peito
me colocam nua
e entre o sal da pele atracam apenas a alma.
Fundo.
Sacode os lares que mudam da forma como as juras se vão.
Tomo cuidado
e caio no canto de ossanha,
na lábia doce,
e no samba mal feito.
A verdade é que sou louca por eles,
sou louca por doma-los pelos olhos e fincar-lhes as unhas.
Apenas amei primeiro o amor.
Entre as barbas,
os pelos,
os vãos,
os vermelhos do céu.
Meus olhos vestem sangue.
E mesmo com o cuidado
sou entregue ao vagabundo coração.
Larguem-me na mão dos homens preu ter na minha frente o que minh'alma sempre quisera.