Me deixem nas mãos dos homens.
Como se já fossemos amantes,
perdendo meu tempo em ser mulher nas dores do meu corpo.
Perdendo meu corpo nas mãos firmes e na boca calada de palavras.
A voz da alma negra,
as dores nas pernas.
Meus cabelos curtos visam o par
vagabundo como deve ser.
A violência dos olhos que arrancam meu peito
me colocam nua
e entre o sal da pele atracam apenas a alma.
Fundo.
Sacode os lares que mudam da forma como as juras se vão.
Tomo cuidado
e caio no canto de ossanha,
na lábia doce,
e no samba mal feito.
A verdade é que sou louca por eles,
sou louca por doma-los pelos olhos e fincar-lhes as unhas.
Apenas amei primeiro o amor.
Entre as barbas,
os pelos,
os vãos,
os vermelhos do céu.
Meus olhos vestem sangue.
E mesmo com o cuidado
sou entregue ao vagabundo coração.
Larguem-me na mão dos homens preu ter na minha frente o que minh'alma sempre quisera.