sábado, 17 de março de 2012

Teu conhaque

Sentado perante a mesa,
da qual na cadeira pendurava tua alma
pra ser varrida com calma
por entre minhas mãos.
O pedido
ao ouvido do bandido
que te serviria
melhor do que eu.
Teu conhaque no copo; na mesa.
Teu conhaque por entre os teus lábios.
Teu conhaque por tua saliva que dádiva guardara na boca
por décadas.
Teu conhaque pelo teu gosto.
Teu conhaque que rasga o peito
e desce
e desce
devagar por entre o corpo.
Teu conhaque na alma, que alucinada, alucina-se no amor.
Teu conhaque não mais na mesa,
nem nas mãos.
Deixara apenas a marca do copo,
e levara até a alma.
Porém, esqueceu de me levar, também,
quiçá me esqueceu propositalmente
pra depois vir buscar outro copo.