quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Braços

Impasse.
Entre o sentir sem sexo num prazer irreversível.
Compreende meus olhos no carisma, a dócil
ao ócio. Meu lamento
anuncia-se nos teus peitos. Levantei a mão, onde esquecera de abaixar.
Ai.
Na rua donde meu gosto
ofusca-se entre teus lábios. Vermelhos
assustadores se borrados por um choro.
Esse choro que me atraí na dor
de arranha-la e perpetualmente convida-la
no amor.
Na voz que desmancha meu cheiro,
onde eu hei de ver teu impasse entre os meus passos lentos sobre tuas costas.
Me amedrontas, e me alivia.
Me devora, corrói
apavora e ignora. Bem do jeito,
lamento.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Excesso de Falta

Anteriormente,
anterior mente. Meu silêncio,
esse desmente meu erro.
Desmentindo. Dez mentindo.
Como um fazedor de elevador.
fazer dor, eleva dor.
Sentimento, sentir mente.
Compara a magnitude de um ser,
como para um ser, em sua magnitude?
Olhos que veem uma supernova,
super nova. Notícia.
Vinha dizer,
vim a dize-lo. Partirei
parte um rei.
Parto das partes dos teus lábios.
Aranha devagarinho.
Arranho devagar o ninho,
arruíno o teu colo. No meu braço de risco.
Baixinho, baixo nino ao sono.
Na ilusão da menina dos teus sonhos,
iluminados são. Por teus cuidados.
Para os teus cuidados.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Supernova Celestial

Caros leitores, peço desculpas primeiro a mim. Peço desculpas agora ao autor dessa ilusão em despedida, lamento ter prometido não tocar no assunto, mas não me lembro de não poder escreve-lo. Agora, peço-vos desculpas. Me lembro bem de poucos momentos, e este, celestial, nem o rastro de uma supernova no momento de sua intensa onda de luz o faria ofuscar. Entendam a sensibilidade dessas lentes em torno dos corpos e não me culpem pelo trajeto aqui feito. Falarei portanto de uma supernova celestial, entre dois, corpos.




Dois corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas. Proclamam-se absolutamente brilhante, declinando-se até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Muito além do que imaginação pode  construir em sua carne que lhe transborda a abundancia no excesso que atinge dois corpos celestiais abduzidos pelo impacto. O que existe na poeira de brilho, alucina e ofusca o que não existe. Portanto, aumenta-se e expulsa o que ali não atinge.

Tine o núcleo remanescente de massa superior ao que tem dentro, explode-se feito grãos ao impulso de sair pra fora um buraco negro, o que, não é mais suficiente para manter o núcleo estável, passando para o nível de entrelaçamento. O mover torna-se a temporalidade como tal. Colisão. A concepção desse movimento perpetuo desenha-se ao par de pernas que minunciosamente transpassam entre a velocidade da luz pausada por um raio que opõe-se ao curso do céu. Ninguém o veria nesse estado, tão nu ao brilho que de dentro, ultrapassava a massa solar. Um golpe desferido, referido a quem ali está. O toque de ambos, gera, uma supernova. Das ocorrências astronômicas talvez, esta, seja a mais importante para a moderna ciência.

A lâmina de uma radiação cósmica varreu o espaço. Iluminou o material inter-espacial e o reduziu. A forma a cada movimento peculiar se desfaz. Sua frequência de colisão gera a duvida entre os tipos atuais, Ia, Ib e Ic. A luz a revolta era o campo percorrido no espaço onde ali machucar-se atraía. Desmentia perpetualmente teus riscos, escondia um mecanismo interno comum. Atracavam-se, devoravam-se as peles que ficavam nas unhas. Um ser celestial não sabe o fim. Desvia-se do conflito à magnitude de sua obra.

Seus planetas nas rotas de linhas, desmancham-se, atraem, porém, ao chegarem por perto, queimam-se. Eram pequenos se postos do lado dos dois gigantes. Embora, chamassem atenção, não sabiam a forma da atração, nem viam o colapso que a erupção de raios ali se fez.

Luz de cores visíveis. Estável perante si, cresciam-se em torno de seu golpe dado e recebido. Quando o vemos, deslumbra-se nosso rosto em forma homeopática. Energia de bifurcação para a perpetuação da existência de anéis de gás que geram-se vergonhosamente na escuridão de um brilho ao sufoco de gritos. O brilho, não demora a esconder-se, mas o choque de avivamento denuncia o que ali ocorre. Geração. Alimentam-se do gosto, alimentam-se da escuridão que impulsiona o anti-formato da dança.

Quiçá findam uma roda de luz, em tiras, que incognitamente amedronta o vestígio. Existem evidências. Em uma das supernovas que colidiram criou-se uma inversão de calor, mostrou-se cores visíveis e invisíveis ao retorno da memória. O sistema nervoso óptico transpassa a idéia da morte entre os que geram uma galáxia farta de estrelas mortas. Anunciam-se num brilho que ali, não está. Devoram-se. Laça mais um entrelaçamento. Entre as explosões cósmicas de dentro do obscuro das fendas do espaço. Celestiais honram suas casas.

Os seres pulsam por um funcionamento inconcebível a qualquer um de carne e osso. Impulsiona a criação. Arrastam os passos ao escuro. O céu mostrou seu corpo nu e insano. Um fenômeno relativamente raro. Ali algo acontecera e não há sapiência do fato. Passionais.

Nascem mais supernovas desse vômito de luzes. Colidam-se ao testemunho dos celestiais, que num apto são, engolem e o arrotam prum buraco negro. A temporalidade não se ouve, e para os humanos que olham, e não vê.  Bajulam a idéia de um caos escrito em forma de luminosidade ofuscante onde apagam-se o rastro da veia mortífera do seu doce veneno. Cortam as linhas entre as peguntas obvias de um olhar sofisticado.

Não tive mais notícias. Não se tem. A memória desse evento fora engolida pela escuridão celestial afobada de dois seres envenenados por um ato de colisão. Fora levado junto ao rastro que não se vê entre as estrelas que ofuscam seu brilho. Dossiê. Entre a mais lenta, com a mais rápida, atolada pela mais pesada, ou pelo fel do brilho reluzente. Não pode-se dizer ao certo sobre o relato, talvez não ocorrido por meios de sombras. O registro do tempo falha-se no registro do drama com eficiência muito maior. O passo conhece o desconhecido ao medo. Deve-se morrer ao encontrar as vistas fartas de memória entre os olhos que perecem de sossego. Somente aceita-se o risco na escuridão. O direito de ida e vinda não se têm, afunda-se, onde o buraco negro abocanha por fome, sede, raiva, luxúria; Ilegalmente. A força de mante-la viva custa o desmoronamento dos meus membros, ofusca meus olhos ainda o brilho da sua colisão. Custa-se em valores quebrados a alma transpassada por um raio que colidiu propositalmente com meu apego. Apagou-se em da história ao retorno do começo, onde o fim não se antecipa nem se presume. O movimento em que termina, obriga ao renascer do começo, um ciclo testado por mestres, e aceito por mim.

Deve-se morrer, ao encontro perpétuo do evento aqui relatado perante o sangue de quem o sentiu.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Baobás

Não vos desejo baobás,
nem vos desejo vê-los crescerem para que
não os vejam partires de vós
quanto em dois.
Quem vê beleza no que de fato é mal,
talvez descobre a beleza
de ser conhecido como tal.
Atraí e
o divide.
Permitires a hora da ida,
porém,
não vos deixeis partires.
Baobás,
o medo os traduz
e a nós, contém.
Esses mesmos fazem o racional lembrar-me 
de como ocupam o espaço das pessoas grandes.
Fazem-me o medo de crescer como tais.
Uma preguiçosa e deixar as raízes,
sem tratar as sementes.
Aliás somos todos um,
essas tais raízes que atraem quem as devore
e as deixem, 
pela metade.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Vontade

Como quem cobre nossos olhos
a neblina invade a cidade de calmaria em vontade de partos,
dourados.
Uma faca de dois gumes arranha a garganta
transpassa a noite
que num congá de sopro faz teu som.
Quiçá volte,
querias a mim que voltares ao lado de cá.
O rio na nascente
transborda o cheiro dos deuses,
hoje não tem prece
só tem um baião a moda antiga
na roda da vontade de deixar
de deixar.
Essa tal da minha vontade
que quiçá voltares ao devido lugar.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Parto

Partirás com a minha olhada pra trás,
sobre teus ombros pequenos
que caberiam na minha mão.
Enquanto no meio do estacionamento eu falava
seu rosto estampava teu medo
coloria a tua vontade
e esfregava os meus olhos a tua cor.
Por um momento quis voltar até teu beijo,
seguir na direção da tua linha,
correndo,
pra teus olhos verem a minha vontade
verem o meu avesso.
O que a gente podia ser?
Me fiz piada,
e tentei por um momento lamber o céu,
ou o que haveria de sobrar desse que eu vi.
Somos um poço, atolados na incerteza das nossas vontades
que criamos ao olharmos, tão direto.
Cortante.
Arde mais que brasa em pele quente você olhando pra mim,
queima.
Deixo-te ir rápido,
 feito esse vomito que vem de dentro.
Meu parto de horas, tentanto achar o que não deveria.
Te opõe ao meu curso de caça,
mas não te opõe a vir e a voltar.
E não tem remédio,
e não tem cigarro,
que acalme o diabo de pensar
o que a gente podia ser.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Dourado

Pavor abstrato.
Intriga alucinada de mim até teus lábios,
conheço essa rua como ninguém
e você sabe o caminho.
Escuta a melodia
que nós dois hoje fizemos,
deita-te no meu ombro
pras minhas juras cumprirem o rumo aos teus ouvidos.
Meus olhos te puxam
e você vem,
mas perto do meu peito
e eu invado o seu, que explode ao meu ouvido.
Sensação indescritivel.
Como carecer na tua vontade
e expandi-la,
entregar teu choro
e cuidar dos teus traços,
desde que os reparos do teu rosto, sejam meus
ainda que dividos com outro alguém.
Eu me divido.
Mas hoje me transportei,
traguei o mais fundo de ti que poderia
sua piada de mal gosto fez meu rosto sorrir.
Um erro?
O que seria um erro se no fundo,
sabemos,
que o desejo era de ambos?
Deixo-te ir,
acelera e saia da rua onde me deixou,
mas só me mostra que o que foi era nós dois,
com todos os erros,
defeitos,
arrogancia,
e medo.
Deixo-te vir,
da maneira que chegar te cuido
pra poder em ti me cuidar
afundar-me se preciso
e rabisca-lo os meus olhos.
E como disse o tremendo favorito de dois,
que diz o que aconteceu, conhece a nota, mas deixo-te no fim.
" A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento. "

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Que gosto tem?

Isto aqui o que é?
Essa mulata que invade na alma o gosto de ser,
atravessa com calma copacaba inteita ao sol.
Torra tua pele morena que afunda nos olhos mansos do mar.
Isto aqui o que é?
Quanto aos olhos o cristo em cima do morro
onde a terra de juras afunda as flores
donde o céu toma conta e atrapalha a prece.
Isto aqui o que é?
Que atravessa o mundo
intercala a idéia na roda do samba
dum coração partido perdido no dia de amanhã.
O cabelo molhado, liso e ondulado.
Isto aqui o que é?
Se a fumaça tormenta o nariz das senhoras
se do meu lado o famoso passa
e o tempo voa.
Isto aqui o que é?
Na areia branca, no afasto quente
queima os olhos e mergulha suas pontas,
seu navios, tuas ancoras.
Isto aqui o que é?
Que rouba o poder
e faz um fuzuê no tal do capitalismo.
Isto aqui o que é se não o Brasil?
Entre a cidade maravilhosa
e seu povo que pariu.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Receita

Peguei as mangas arregaladas como o par
de olhos que fazem-se num breu de águas
tateiam memórias no além dos teus olhos escuros na tempestade,
forrados com pele de neve.
Morrerá ao terminar mais essa agonia,
suportaria teu fel ao breu de esconder-se no que se acaba
no meio das ruas taram a noite.
Afunda o congá da vista aos olhos que não olham
apavoram o grito de um deus
que não queria que fosse seu.
Perdem-se,
afastam-se,
calam-se,
move-se devagarinho
aos olhos que veem.
Levou a certeza que tua saliva
seria a despedida lamentável do céu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Engole

O céu exprime e me expõe
retalhando todos os quintais em que morei,
abstrai a cota contrária de gente que chega até minhas folhas
e embaça a vista do meu medo.
Esse tal de céu abusa da minh'alma
corrói meu rosto que ao levantar para vê-lo se queima
num fogaréu brando de raiva
mas sempre atraí com calma minha luta.
Espalha as cores nas nuvens
borra com o dedo que modela a sombra dessa glória,
o obscuro ignora a claridade e a porta branca vira laranja.
Todos os quintais de folha pegam fogo
quando reflete os olhos desse céu,
o mar some como um pranto
e volta feito um riacho.
Tudo pr'esse céu se apagava e volta tímido
tinindo de amor resolvido,
que parece até que enruguei a testa e apertei o peito
que finquei meus olhos em assuntos apagados por timidez
que até num realejo eu vi a volta do mar.
Quem me vê sorrindo, se não eu?

Fincado em Pele

Quanto aos reis, 
diga-vos que tratei do meu orixá.
Nas noites ditas em palavras que traduziam um francês
com um sotaque meio afro
seus cabelos voavam até a luz dos olhos.
A maneira escreve
que o abandono flui, sem pressa pra crer na reza
que hoje nem santo escutaria nos céus.
Água de mar na saliva
corrói assim como os teus dedos que transcrevem minhas costas,
corroem o fel da minha saliva que funde com o doce dos teus lábios
partidos.
Evito-me na fadiga de estar,
do ser e ter o que fazer nas horas que uma faca de dois gumes
atravessa os pensamentos de vaga-lume.
Sangra por realidades insanas na discussão do teu cálice.
Suas costas temem a minha mão 
que retalha teu peso
te leva
te sangra
e te afunda
finca e arranca.
Minha perna treme ao teu beijo
que assola meu pulmão
me leva
me sangra
e me afunda
finca e arranca.
Retalha nossas almas que grita
arde ao pulsar dos donos do mundo que haviam de parir ali
a vida de uma morte sem precaução.
Dita o ditado mal-dito ao discurso do rei,
diz no que o ditado quer,
mas dita devagarinho meu nome
só pros teus lábios serem ditados assim por uma rainha.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Camadas

Camada de sono apanhada na noite
não se descansa quando se acorda de quão velho fica-se
amedronta os olhos e não se cresce
diminui a ponto de mostrar ao mundo os sonos varados da adolescencia.
Uma camada a despertar a menos
nas horas calmas debocha o medo da tua vida
que hoje é morte vivida
no canto de reis numa roda de redemoinhos a grama.
A chuva vem e desperta mais uma camada de sono
que em choro, chora, no riso elabora a marca do teu caos.
Mergulha o medo da vida
com a vinda da morte.
A cada noite que dorme,
apenas acorda das camadas fundas dos teus sonos
cansados a pele
e ardidos as células.
A vida é morte.
E quem morre,
conhece a vida?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A-mor-te

O amor é um mar
raso, e fundo.
Onde se vem o limite, deve-se aprender a nadar
fundo
folego
dar acesso ao retrocesso.
É lindo
causa medo.
Atravessa o mundo
e invade  minh'alma na tristeza
ou na ganancia do riso
exposto aos céus.
Machuca e é salgado
mas ainda assim doce.
Queima se bate
morre se larga.
Amor é um horizonte distante,
sem chegada
não se sabe se vai
mas sempre se afunda
e se afoga.
Abstrato
Alucinado numa guerra de deuses,
desafiador de lutas
que deixam marcas trincadas ao pé e ao peito.
Imitador barato de vidas opostas,
tradutor de alma em vazio do peito.
Arrisca teus olhos e tua pele,
teu peito e teu rosto,
doa seus olhos
e afunda-se
no sentimento mais extraordinário de um ser.
Desperta teu som
e afunda teus olhos.
Machuca a rosa e morre seco.
Afunda os laços na água salgada
que perfura a terra de um lar
destrói a alma
e corroi a calma.
Desperta a vida
e de abundancia leva a morte.
Calculo indigente de humanos pertubados
exalados por teus mantos.
Carrega o calor no frio do vento
mas chega sempre no horário da noite,
pálido
sólido
e morto,
de tanto esperar.
Amamos todos feito a morte do mar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Derradeiro Parto

Opostos do mar ao fundo do breu
na distancia que o céu comeu sem dentes,
parecia dois lagos separados por um abismo
bem ao meio do teu rosto.
Nas marcas da ida ao amor do mar
onde o horizonte se perde nas águas fundas
que o limite a pé logo chega
e só de barco voa-se ao céu do teu centro.
Retrocesso desse meu acesso
ao teu corpo nu, inteiro meu
dividindo o mesmo espaço onde navega-se nas minhas costas
e afunda teu beijo na minha nuca.
Escorre pelas águas do céu
e as ondas da terra,
afunda os pés na derradeira dor
no breu dos teus olhos que feito mar me afunda.
Me indecisa na preguiça de deixar-te ali
ou até, no meu desvario de acomodá-lo aos meus aposentos.
Um ato de coragem de te invadir
e possuir, só por possuir,
pra luxuria de nossas almas.