terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fincado em Pele

Quanto aos reis, 
diga-vos que tratei do meu orixá.
Nas noites ditas em palavras que traduziam um francês
com um sotaque meio afro
seus cabelos voavam até a luz dos olhos.
A maneira escreve
que o abandono flui, sem pressa pra crer na reza
que hoje nem santo escutaria nos céus.
Água de mar na saliva
corrói assim como os teus dedos que transcrevem minhas costas,
corroem o fel da minha saliva que funde com o doce dos teus lábios
partidos.
Evito-me na fadiga de estar,
do ser e ter o que fazer nas horas que uma faca de dois gumes
atravessa os pensamentos de vaga-lume.
Sangra por realidades insanas na discussão do teu cálice.
Suas costas temem a minha mão 
que retalha teu peso
te leva
te sangra
e te afunda
finca e arranca.
Minha perna treme ao teu beijo
que assola meu pulmão
me leva
me sangra
e me afunda
finca e arranca.
Retalha nossas almas que grita
arde ao pulsar dos donos do mundo que haviam de parir ali
a vida de uma morte sem precaução.
Dita o ditado mal-dito ao discurso do rei,
diz no que o ditado quer,
mas dita devagarinho meu nome
só pros teus lábios serem ditados assim por uma rainha.