O céu exprime e me expõe
retalhando todos os quintais em que morei,
abstrai a cota contrária de gente que chega até minhas folhas
e embaça a vista do meu medo.
Esse tal de céu abusa da minh'alma
corrói meu rosto que ao levantar para vê-lo se queima
num fogaréu brando de raiva
mas sempre atraí com calma minha luta.
Espalha as cores nas nuvens
borra com o dedo que modela a sombra dessa glória,
o obscuro ignora a claridade e a porta branca vira laranja.
Todos os quintais de folha pegam fogo
quando reflete os olhos desse céu,
o mar some como um pranto
e volta feito um riacho.
Tudo pr'esse céu se apagava e volta tímido
tinindo de amor resolvido,
que parece até que enruguei a testa e apertei o peito
que finquei meus olhos em assuntos apagados por timidez
que até num realejo eu vi a volta do mar.
Quem me vê sorrindo, se não eu?