quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Derradeiro Parto

Opostos do mar ao fundo do breu
na distancia que o céu comeu sem dentes,
parecia dois lagos separados por um abismo
bem ao meio do teu rosto.
Nas marcas da ida ao amor do mar
onde o horizonte se perde nas águas fundas
que o limite a pé logo chega
e só de barco voa-se ao céu do teu centro.
Retrocesso desse meu acesso
ao teu corpo nu, inteiro meu
dividindo o mesmo espaço onde navega-se nas minhas costas
e afunda teu beijo na minha nuca.
Escorre pelas águas do céu
e as ondas da terra,
afunda os pés na derradeira dor
no breu dos teus olhos que feito mar me afunda.
Me indecisa na preguiça de deixar-te ali
ou até, no meu desvario de acomodá-lo aos meus aposentos.
Um ato de coragem de te invadir
e possuir, só por possuir,
pra luxuria de nossas almas.