Partirás com a minha olhada pra trás,
sobre teus ombros pequenos
que caberiam na minha mão.
Enquanto no meio do estacionamento eu falava
seu rosto estampava teu medo
coloria a tua vontade
e esfregava os meus olhos a tua cor.
Por um momento quis voltar até teu beijo,
seguir na direção da tua linha,
correndo,
pra teus olhos verem a minha vontade
verem o meu avesso.
O que a gente podia ser?
Me fiz piada,
e tentei por um momento lamber o céu,
ou o que haveria de sobrar desse que eu vi.
Somos um poço, atolados na incerteza das nossas vontades
que criamos ao olharmos, tão direto.
Cortante.
Arde mais que brasa em pele quente você olhando pra mim,
queima.
Deixo-te ir rápido,
feito esse vomito que vem de dentro.
Meu parto de horas, tentanto achar o que não deveria.
Te opõe ao meu curso de caça,
mas não te opõe a vir e a voltar.
E não tem remédio,
e não tem cigarro,
que acalme o diabo de pensar
o que a gente podia ser.